sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A exposição e o espectador

Outro dia me perguntaram se eu havia visto a exposição do patrocinada do Santander que causou polêmica no Rio Grande do Sul e o que eu achava. Na verdade, não vi porque fica em Porto Alegre e não vou lá por aquelas bandas há um tempo. Mas enfim... Aí vem a discussão. Vi na internet as imagens que, sinceramente, são grosseiras como a pintura de um cara transando com um bicho, uma criança com os dizeres criança viada etc... Sinceramente, tenho dificuldade de entender o propósito da amostra além de chocar as pessoas que sejam mais suscetíveis. O que não é o meu caso. Não me afeta esse tipo manifestação. Olho, penso: "putz, que troço escroto" e sigo em frente.

Mas há duas coisas em jogo: a liberdade de expressão e a responsabilidade jurídica sobre seus atos. Se considero escrota essa forma de expressão que só serve para dar votos a uma direita radical que cresce no Brasil (sim.. esse tiro sai pela culatra e elege os conservadores), também penso ser absurda qualquer forma de censura. Deixa fazer, se o fato caracterizar algum tipo de violação ou apologia a ato ilegal, que se aplique a lei. Não sei, mas expor como forma de arte, ou de certa forma, conteúdo formador de opinião, pedofilia ou zoofilia, creio eu violar de alguma forma as leis brasileiras e comprometer a segurança de alguém (no caso, crianças e animais). Não sei... isso é papo para os juristas.

Os críticos da exposição não percebem que partir para cima desses eventos é alimentar um "discursinho mimimi-como-somos-vítimas-coitadinhos-de-tudo" que já faliu há décadas e dar holofotes para o que seria condenado ao esquecimento e fracasso em poucos dias uma vez que me parece desprovida de grandes méritos estéticos que a perpetuasse no rol das grandes exposições no cenário nacional.

E aos defensores da exposição, lamento que não vejam o tiro que estão dando e que está saindo pela culatra cada vez com mais força. Cada vez que expõem material desse tipo, que fazem cocô sobre a foto de político na rua (e chamam isso de performance), filmam e colocam na internet, estão dando força para uma direita em que eu NUNCA vou votar, mas que vou ter que aguentar seus representantes eleitos sobre o voto de contraste da senhorinha que vê esse tipo de coisa e não fica em dúvida em quem votar.. no político de terno e pela família ou na moça que faz cocô na foto na rua e nos colegas que exibem o quadro do moço transando com um bicho.. ou sei lá... 

Enfim...

Faltou um pouco de sensatez do Santander no processo de liberação dessa amostra. Talvez uma comissão de avaliação, uma discussão de impacto e receptividade, uma análise de que resultados que o banco esperava com isso... Enfim, alguém assinou a liberação.. enfim, alguém pelo jeito vai engrossar a fila do desemprego.  Agora, a bomba estoura na conta deles... 

Eu sou a favor da liberdade de expressão, mas se fosse do banco diria: gente, adorei a proposta de vocês e acho que o Itaú ou o Bradesco são os melhores bancos para vocês conseguirem esse apoio cultural.... #eliminandoaconcorrência...rs

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Toda dor

Toda dor que não nos traz aprendizagem é vã. Fugimos da dor, mas sabemos que toda dor vem do desejo de não sentirmos dor. Então, que venham as dores. Confuso, não? Explico.
A dor é uma forma de aprendizagem que nos conduz a um caminho de não mais cometer aquele erro e, logo, não sentirmos dor mais. Pelo menos não mais aquela.  Mas aí é que está. A dor só é válida quando nos traz a aprendizagem sobre o que a gerou e, assim, chegaremos à fatídica conclusão que elas são resultados de, pasmem, nossas escolhas. Escolhemos caminhos que nos conduzem a ela, escolhemos opções que as tem em sua rota. E lá está ela a nos esperar.
Se não traz aprendizagem não valeu, foi dor em vão. Precisamos beber esse copo até o fim e depois, olhar a vasilha vazia e perguntar: o que eu aprendi nisso tudo?
A primeira postura diante da dor, em face de nossa imaturidade espiritual, é buscar culpados, desejar o revide,  perguntar-se por que eu...
Culpados não há.... de alguma forma, somos frutos de nossas escolhas.
Revide não cabe.. não atenua a dor.
Porquês são inócuos frente ao fato que nos assoma... para que seria relevante esforçar-se para entender o que já se consumou.
Então, que as dores sejam bebidas até a última gota. Mas antes, quando os copos estão cheio, ergam-nos e façamos um brinde a todos as dores, que nos moldaram como o aço da espada e aos nossos algozes que nos ensinaram que é nas mãos deles que está o sangue. E, em suas histórias, é que está escrito o mal.
Um brinde a todas as dores, um brinde à maneira que a vida tem de de nos ensinar a ser fortes a partir de nossas escolhas.