quinta-feira, 26 de junho de 2014

Você tem razão...

Na semana passada eu fiz 43 anos, há 43 invernos que estou por aqui, afinal, nasci no primeiro dia dessa estação. Nessa idade, pelo menos para mim, as coisas são muito mais claras do que aos 23. O tempo que eu vivi, provavelmente é maior do eu vou viver. Não tenho mais tempo para desperdiçar. O relógio corre contra mim e, por isso, tornei-me extremamente seletivo. Meus minutos seguem em uma contagem regressiva que não me dá mais tempo em me empenhar na comprovação de que sou mais inteligente, mais culto, mais esperto (até porque é bem provável que não seja mesmo fazendo isso).
Não tenho tempo para digitar no Facebook longas listas de argumentos demonstrando o quanto estou certo e fulano ou beltrano está errado. Ganhar uma discussão e todo mundo ver que tenho a razão me soa como uma das coisas mais sem sentido na qual poderia empregar o meu escasso tempo, cada vez mais fugaz, cada vez mais valioso e raro. 
Hoje, compro o silêncio das pessoas dando-lhes razão. Se o custo para que alguém se cale é ceder-lhe a razão. Que ela tenha a razão toda, plena, completa e que tire um printscreen da tela para espalhar ao mundo todo que ela tinha razão, que ela estava certa, que as ideias dela são as melhores. Que propague aos 4 cantos do mundo o quanto eu lhe sou inferior, tolo, reacionário, limitado e ela me é superior. Sim.. é bem provável que ela tenha razão nisso também.
Pode parecer comodismo e muitos irão dizer que não tenho argumento, por isso ajo assim. Pois então, concordo com essas pessoas também. Alguns até perderão seu tempo para me dizer o quanto sou tolo, covarde, evasivo etc... Quem venham todos os eteceteras que lhes darei razão. Um a um ainda que eu nem os conheça.
Se o preço da minha paz é turbinar a autoestima alheia dando-lhe razão, que tenham toda razão do mundo. Se o preço para que alguém se cale é a minha concordância, que esteja bem claro que concordo com suas ideias em gênero e número, afinal, grau não estabelece relação obrigatória de concordância em português.
Que nunca se ofendam aqueles que pensam haver ironia nas minhas anuências. Não há. Há, isso sim, uma súplica para que cessemos a conversa e que, em troca da razão plena, me deem o silêncio e a paz que me são tão essenciais nesse tempo que escoa entre meus dedos.


Domine miserere nobis.
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