sábado, 11 de outubro de 2008

Sempre procurando um cabelinho em ovo.

Toda polêmica vã assenta-se na vaga deixada pela inteligência.

Outro dia li em um blogue (na sala de Justiça) que a associação de cegos dos EUA irá apresentar um protesto contra o filme "Ensaio sobre a cegueira", do cineasta Fernando Meirelles baseado no romance de José Saramago. A alegação? Denigre a imagem do cego e o apresenta como alguém desorientado e desorganizado. Isso não contribui para o combate ao preconceito contra o deficiente visual (cego é o cacete!!! Que fique bem claro).

Bom... é o famoso caso de não vi o filme e não gostei. (argh! Humor negro... desculpem!)
Vez por outra aparece uma história dessa... Aparece um cara tentando proibir o uso da música "olha a cabeleira do Zezé" por ela fazer apologia à homofobia e à estigmatização da diversidade sexual. Ou mais, um sujeito tentando proibir "atirei o pau no gato" por considerar que trata de apologia aos maus tratos aos animais... Caramba! Abomino todo preconceito, seja homofobia ou qualquer outro e, simplesmente, acho que lugar de gente que maltrata animais é em uma cadeia com um monte de bandido sodomizando o desgraçado.
Mas espera aí... eu cantei atirei o pau no gato e nunca levei isso a sério. Assim como cantei quando criança "o sapo não lava o pé" e nunca me passou pela cabeça, mesmo na mais tenra idade, discriminar os sapos devido a seus precários hábitos de higiene.
Ao invés rebater, dessa vez, vou entrar na paranóia e sugiro os seguintes processos judiciais:

Proibir:
Rapunzel.
Razão:
Apologia à manutenção de pessoa em cárcere privado, sequestro..

Proibir:
A música "o teu cabelo não nega".
Razão:
Crime de racismo.

Proibir:
Os três porquinhos
Razão:
Apologia à tentativa de homicídio e/ou lesão corporal
Apologia aos maus tratos de animais.

Proibir:
Cinderela/Branca de Neve
Razão:
Apologia ao comércio de produto de "hortifruti" contaminado.
Apologia ao serviço escravo (tanto da parte dos anões quanto da madrasta). Em se tratando da madrasta, acrescentemos o cárcere privado

Proibir:
Música de "Parabéns" (parte do com quem será)
Razão:
A repetição do "com quem será" e do "vai depender" representa um tipo de coação/constrangimento ilegal que, muitas vezes, atenta contra a manifestação do livre arbítrio dos citados na musiquinha. Substitua-se doravante aquela parte por "lá, lá, lá..."

Cabe numa ação coletiva determinar por liminar judicial que a Xuxa pare de se referir às crianças como baixinhos e adote a denominação "seres humanos/cidadãos em processo incipiente de formação". Sendo assim, torna-se mister a retirada de todos os DVS "Xuxa só para baixinhos" até a susbtituição dos títulos por "Xuxa só para seres humanos/cidadãos em processo incipiente de formação"

E sabe o que é pior ? Tem gente que vai levar isso a sério...

Em tempo:
Viu por que eu modero comentários... Tenho paciência, mas não muita.

22 comentários:

Lilian Devlin disse...

Oi Marcelo, bom dia!
Sabe o que eu acho que falta a esse pessoal que vive preocupado com causas politicamente corretas? Que lhes falta o que fazer! Só quem tem MUITO tempo ocioso, o gasta pensando nessas coisas e enchendo o saco da gente!
Abração!

Wander Veroni disse...

Oi, Marcelo!

Fantástico a sua crítica. As pessoas levam tudo muito a sério e esquecem que tem algumas coisas que realmente são preconceituosas e outras só refletem uma tradição cultural ou de domínio público.

A imprensa - vou fazer mea culpa, contribui muito para isso. Vive colocando eufemismo nas coisas e confunde a população sobre o que é agressivo e o que é politicamente correto.

Outro dia, fui entrevistar uma delgada e a secretária dela me falou o seguinte com um outro funcionário que iria me levar até a sala da delegada: "Esse moço aqui moreno tá querendo falar com a delegada". Como assim? Eu não sou moreno. Sou negro, indaguei. A desculpe, disse ela. Pensei que chamar alguém de negro era ofensa.

Já que estava na delegacia ameacei fazer um boletim de ocorrência por racismo, não por ela me chamar disso ou aquilo, mas por achar que negro é ofensa. Acabou numa discussão que a própria delegada que eu ia entrevistar interviu.

Eu não ia fazer o boletim. Nem fiz. A minha revolta foi com a falta de informação das pessoas e o descrédito. Nada que uma boa discussão acalorada não resolvesse. E como adoro argumentar, vc já viu...hehehe.

Adorei seu texto.

Abraço,

=]

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http://cafecomnoticias.blogspot.com

Anna Paula disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
vc se superou, Marcelo!
Esqueceu de mencionar Alice no país das maravilhas.... apologia às drogas!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ludmila disse...

Ninguém merece!

O preconceito está nos olhos de quem vê (ou não - no caso). Que saco - de filó e sem fundo!

Ah! Adorei o post "Tempos e palavras mudam...". Ri muito!

=***

Gustavo disse...

Concordo com a Ludmila, se fosse por essa modinha d fazer protestos visando uma causa nobre e até onde podemos observar "quixotesca", haveria uma manifestação em frente as grandes lojas de eletrodomésticos, móveis e eletro-eletrônicos (como Casas Bahia, Lojas Cem...)afirmando que o nome "criado-mudo" seria uma ofensa à classe de servidores domésticos e às pessoas com deficiência fonológica.

Veiga disse...

ehhh tem gente q vai levar isso a sério.


AsIAJsiAJshUAshuaHSuHAS

abraço

Alexandre Silva disse...

A música mais escrota e cheia de apologias e msgs subliminares é aquela do "Coelhinho Branco" que se canta na Páscoa. Qq dia rometo tecer comentários sobre ela...
Sou a favor de proibir a música de "Parabéns" em todo seu conteúdo...kkkkk, existe musiquinha mais fdp que essa?? E eu nunca sei em que ritmo se deve bater as palmas... :/, chega no final tá tudo desordenado. E qdo vc acha q acabou vem sempre um mais fdp ainda puxar o "com quem será..."
Abraço
http://falandoprasparedes.blogspot.com

Anônimo disse...

"Joãozinho e o pé de feijão": invasão de domicílio; latrocínio, seguido de homicídio doloso. Que mau exemplo do herói da história! rs

Paula disse...

Ah, vou te falar uma coisa (nao sei se você sabe), mas realmente EXISTE uma versão politicamente correta de atirei o pau no gato. A letra é horrorosa, ridícula e o pior, tem muita escola por ai adotando a nova canção. E oeu que mais me chocou foi que, o que brinquei de roda cantando não só essa, mas várias outras cantigas de roda e nunca, sequer pensei em maltratar um gatinho (e olha que não é o meu animal de estimação predileto...).

abraços

Tiago disse...

Eita, que eu me senti importante! Mas o caso do protesto contra o filme do Meirelles me deixou indignado mesmo, eu tinha que escrever sobre aquilo. Já vi que consegui um aliado na luta contra o politicamente correto. A luta continua, companheiro!

Lívia disse...

Quando eu era mais nova e falava para minha mãe: "Mãe, to com fome" ela respondia "Vá na rua, mate um homem e come". Até hoje nunca a obedeci, rs.

[]'s

Anjo disse...

Post simplesmente perfeito.
Eu queria que pegassem aquela tal cartilha do policitamente correto e introduzissem no oríficio excretor de quem a criou.

All3X disse...

É uma patologia social esse fenômeno.
Sempre tem um que faz de tudo para irritar, digo, corrigir o outro.
Mas sempre agindo procurando "erros" onda não existem. A intenção clara é apenas o menosprezo pela opnião alheia.
Algo do tipo: "Eu estou certo, você é que mude de pocisionamento".

Valeu,
All3X

LETÍCIA CASTRO disse...

É, mas tirar os DVDs da Xuxa de circulação é um serviço primoroso à sociedade e à educação infantil! Isso eu levei muito a sério. rs
Gostei do lance de hortifruti contaminados... hehehe
Há que saber separar o joio do trigo, não é?
Beijo!

Aline Dias disse...

O humor ácido e esperançoso de sempre!
Eu gosto daqui.

Marcus "OROCHI" disse...

É velho caso do "policamente correto" matando a sociedade. Faltou tb proibir o jogo de RPG pq "induz a assassinatos", hehe.

Vlws

http://chamandocoringa.blogspot.com/

Thata disse...

É por essas e outras que eu considero um tanque cheio de roupa suja essencial. Se fizessem algo de produtivo, não abririam processos inúteis como esse. Foi igual com O Código da Vinci, e vai ser assim com qualquer outro filme ainda esteja por vir.

Agora eu concordo com a proibição do "Com quem será" no final da música do Parabéns. Além de fazer com que o aniversariante queira cavar um buraco que o leve até a China, ainda pode fazer com que o coitado vire alvo em tempo integral de algum mala que leve a brincadeira a sério demais e comece a perseguí-lo, achando que realmente tem alguma chance (experiência própria).

Obrigada pelos elogios, fiquei muito feliz, e um tanto corada. Ainda bem que estava sozinha em casa, e não tinha ninguém por perto pra reparar.



Bejoo :*

Flávia Damato disse...

É por essas e outras q sempre arrumo o q fazer. O ócio pode ser perigoso!... rs

Em tempo: Adoro esse seu "Humor afro-descendente". rsrs


Bjs!!!

Anônimo disse...

Sempre odiei essas rebeldias sem cabimento.Não há o que mudar nas tradicões que nos rodeiam a tanto tempo e putz!não fazem apologia a nada! são simples músicas,filmes ou sei lá o quê. O importante é ter discernimento com relação ao que se vê e ao que se ouve ver que nos filmes ou músicas mesmo ,tem algo a se aprender ,o negócio é buscar o olhar crítico(e quando digo crítico não é apenas no lado negativo) mas tirando possíveis lições que possam passar e coisa e tal.
Cara isso é balela daqueles ociosos privilegiados(ou não)...
amei o blog! beijos!!
♥Thályta Kutcher♥
http://morewomen.blogspot.com

Anônimo disse...

essa onda "politicamente correta" que na verdade é completamente "falso moralista" está acabando com o que há de bom no humor...

Alguém imagina só se ia passar um programa como "trapalhões" hoje em dia... jamais! Ia chover processo!

Até mesmo o melhor programa infantil que a globo já teve a felicidade de passar, o "TV Colosso" seria censurado. Alguém lembra do quadro do Jaca Paladium? onde ele ameaçava bater nos filhotes? Ou do Paulo Paulada???

Sinceramente, em nome dos direitos das mais variadas categorias, estamos cerceando o nosso direito de nos expressar, de rir, de fazer graça uns com os outros.

Euzer Lopes disse...

Uma parte que você cita no seu blog, humor negro à parte, "não vi e não gostei".
É impressionante a quantidade de pessoas que sempre uma opinião formada CONTRA tudo e nenhuma atitude. Se o filme é campeão de bilheteria, esses mal comidos o acham um lixo. Se a novela faz sucesso, é medíocre. Roberto Carlos lhes causa arrepios na espinha. Só que são um bando de POBRES, quase maltrapilhos que andam à pé não pela saúde, mas por não ter dinheiro para comprar um fusca 75 (abaixo disso, o carro custa uma fortuna) para ajudar a entupir o trânsito. Também não têm dinheiro para TV à cabo para assistir àquelas porcarias que eles enchem a boca para dizer que são "filme de arte".
Com toda a certeza eles estariam se divertindo, lavando a alma se levassem à sério partes do seu post. Só que eu sei bem que você, assim como eu, quer mais é que esses "defensores de alguma merda" se exploda junto com a crise americana.

marcela p. disse...

§

As pessoas perderam a noção de que a catarse é necessária para manter a sanidade mental (ou o que resta dela).

§