segunda-feira, 2 de junho de 2014

Marketing ostensivo do traveco

Outro dia tive que ir ao prédio do ministério público no centro do Rio e, para chegar lá, passa-se por uma rua chamada Erasmo Braga que tem um trecho em que só circulam pedestres. No meio de passantes e fachadas de restaurantes comerciais, percebi que ali jaziam ainda os últimos exemplares da espécie dos orelhões que tiverem sua extinção quase decretada com o surgimento dos Celularis Personalis, que hoje superam o número de habitantes do país. Se eles adquirirem direito de voto, em breve nosso presidente será um iPhone ou um Galaxy Samsung.
Mas, enfim, aproximando-me dos orelhões, percebi que eles estavam fartamente decorrados com pequenas filipetas coladas, mais parecido com santinhos de políticos (santinho de político, que fique bem gravado, é uma antítese. Ou é santinho ou é político) com propagandas de travestis. Na parte de fora, homens-mulheres exibiam seu corpo e um telefone. Acho que a ideia é, o cara chegou ali, vai dar um telefonema e aí pensa, “pô, tô de bobeira. Ah.. vou comer um travesti para passar o tempo”.
Nas parte de dentro do orelhão, o marketing era mais ostensivo. Havia fotos dos rapazes-moças com tacos de beisebol na mão. Ok. Não eram bem tacos de beisebol, mas era mais ou menos na mesma proporção. Um deles-delas, mal permitia que lhe visse o rosto com a face escondida com por detrás de uma pilastra de Pole dance
Pensei: Photoshop é fogo!
Mas sabe que fez mal para minha autoestima de macho latino, aliás, faria mal para qualquer autoestima masculina uma vez que a comparação com o que temos é inevitável. E durante dias, passamos sem nos olhar durante as idas ao banheiro. Semanas depois, quando durante um xixi despretensioso trocamos um olhar, não pude deixar de pensar:
E você hein, só me faz passar vergonha!

Se bem que tem uns cursos bons de Photshop na internet, né...

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