segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Todos somos substituíveis…

Falar isso em um mundo de politicamente correto é colocar a cara na reta da rajada de metralhadoras. Mas vamos lá.... É óbvio que não estamos falando do aspecto afetivo da questão. Se gostamos de alguém, não dá para substituir esse alguém por outro e gostar exatamente igual. 
Entretanto, no ambiente de trabalho esse discurso não cola e só serve quando sua intenção é fazer com que a autoestima das pessoas melhore um pouquinho e elas sintam que são mais importantes do que realmente são. Todos, em ambiente corporativo, somos, sem exceção substituíveis e se sairmos, outros virão e farão o mesmo serviço. Melhor, pior ou a mesma coisas… o que importa é que sempre há uma peça sobressalente que vai destruir esse discurso do somos únicos. Sim. Somos únicos, mas até amebas são únicas. 
Esse discurso se presta bem a ilusão teoria da unicidade relevante. Nossa unicidade é, na imensa maioria das vezes irrelevante. O que nos mantém na função que ocupamos não é essa nossa pseudo unicidade, mas a maneira como desempenhamos a tarefa que nos cabe. E isso não nos garante a permanência onde estamos. Por isso, navegue bem, mas sempre fique de olho no entorno, pois o barco pode, num sacolejo, mandá-lo para fora e você terá que se agarrar em algum lugar. Fique atento.
Vejo que essa ilusão da unicidade é muito do brasileiro. Espalha-se o discurso do temos praias únicas, mulheres únicas, um jeitinho único.. enfim, somos únicos. Daí o sonho nacional e quase unâmime de entrar para um concurso público, não precisar se esforçar para ficar no cargo e passar o resto da vida ali, único, exclusivo, para sempre… ainda que seja por força da lei, a massagem ao ego é sempre uma boa.

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