sábado, 9 de janeiro de 2010

Violência é um recurso lamentavelmente legítimo


Outro dia eu corrigia redações do ENEM e um menino cujo título da redação era "ética, paz e direitos humanos", lá pelas tantas no seu texto, dizia que era um absurdo mantermos vivos vivendo às custas do estado um sujeito como o Fernandinho Beiramar. Onde é que estavam as autoridades que não mataram esse cara ainda (sic)...
Obviamente, ele não atentou para o fato de haver um incoerência entre seu título e suas ideias, mas me despertou para o fato de que, inconscientemente, isso é um sentimento comum. Percebo que a violência se justifica para coibir a violência. Lembro das greves que defendem os direitos dos trabalhadores restringindo e limitando (inclusive com violência) o direito de quem não quer ou não pode protestar. Os piquetes são a maior antítese dos sistemas democráticos. Quando a polícia usa violência contra os grevistas as imagens mostradas assustam, mas e quando os grevistas usam violência contra outros colegas que optam por não fazer greve, o que pensar disso?
Parece aquele discurso do vamos acabar com a violência nem que seja a porrada e vamos dar um basta nessa mentirada nem que a gente tenha que inventar qualquer história.


Somos feitos de silêncio e som... de luz e escuridão... hegelianamente humanos. Não vejo uma alternativa para lidar com isso, tento me acostumar. Tento entender menos...

11 comentários:

Montanari disse...

É isso aí. "Paz sem voz não é paz, é medo".

Acho que esse negócio de olho por olho, dente por dente é inerente à raça dos humanos mesmo. Eu mesmo as vezes, penso nisso de forma quase automática, principalmente em casos de violência contra uma criança, tipo, "Deviam pegar aquele @#%&!!* e enfiar agulhas lá no &*%$#@)!! dele pra ele ver como é bom"

No fundo acho que é meio um lado do nosso instinto animal, sei lá, algo genético.

Comentários de meu cotidiano disse...

Infelizmente o garoto tem razão mesmo considerando o tema...

Anna Paula disse...

Muita gente acha que é blá blá blá mas falta espiritualização...
elevação espiritual gera elevação moral e consequentemente paz, primeiro a interior depois com o próximo.
Desejo aztodos neste ano, muita paz e sabedoria!
bjs

Carol Mioni disse...

Sinceridade, eu nunca tinha pensado nisso também... sou a favor da pena de morte contra assassinos, mas o cara que matar mereceria a pena de morte também, não?

Nando disse...

O homem mata o homem. O mundo sempre foi assim. E sempre será. A própria Lei autoriza o homicídio em casos especiais, como o da legítima defesa. A violência é, efetivamente, um meio legítimo de defesa.

Laila disse...

É como quando gente vê pessoas pacíficas e amantes dos direitos humanos e da vida, talvez até avós bem velhinhas, torcendo para o mocinho matar logo o vilão da novela!

Histórias & Estórias disse...

Imagino seu terror. Eu também fiquei quando um garoto de 15 anos disse ser fã do Beira Mar e do Hitler por que, para ele, eles detinham o poder.

A violência esta tão grande que é banalizada. Arroz com feijão de todo dia.

Triste demais.

Flávia Damato disse...

Ética, paz e direitos humanos deixaram de ser temas de sentido coletivo para serem tratados sob a ótica individual ou de pequenos grupos.

Lamentável!...

Anna Paula disse...

Aiii, Nando....
Dá vontade de te MATAR qdo fala assim.....

Nando disse...

KKKKKKKKKKKKK. Anna. Eu entendo o seu pensamento. Só que é utópico. Nunca existirá um mundo espiritualizado. Então, prefiro ficar com a realidade e discutí-la como ela é.

Anna Paula disse...

Nando
"Nunca" é tempo demais e a gente não sabe nada sobre depois do "nunca" e é aí que entra a tal esperança... que me move, a ti e a todos.....
Vamos até a época de Sócrates onde nem um bom argumento livrava o camarada da forca ou cicuta, hoje, um bom advogado (rsss)com seus argumentos e provas livra qqer um da condenação....acho que muita coisa mudou sim então creio na transformação de tantas outras.
bjs
te amo!