sábado, 26 de setembro de 2009

À espera de D. Sebastião ou outro salvador da pátria.

Para quem não conhece, D. Sebastião foi um rei de Portugal que desapareceu em uma batalha no norte da África. Ele marcou o fim de uma dinastia lusitana de grande prosperidade nas artes, ciências, cultura, enfim, marcou o fim das vacas gordas. De lá para cá, vários povos de língua portuguesa (entre eles nós) passaram a esperar a volta do rei que traria consigo toda prosperidade passada. No Brasil, o caso mais interessante foi o de Canudos no Nordeste, mas há pequenos vilarejos no interior do país que ouviram a história por alto e ainda aguardam o bom rei.
O fato é que estamos sempre esperando o retorno de um rei que irá nos guiar, do messias que irá nos salvar, mas não vem ninguém. Acreditamos que já veio e que vai voltar para nos salvar, sei lá, alguém, um super homem, um rei, um mártir, um santo, um mutante.. qualquer coisa poderosa. A porta se bate todos os dias e ninguém entra. Mas, ainda assim, sustentamos a crença de que há alguém que sempre poderá surgir do nada e resolver nossos problemas de uma vez só, com um gesto mágico e sobrenatural.
Na política, acreditaram em Tancredo e choraram com a sua morte (lá se foi nosso salvador), se decepcionaram com Lula (ele não nos deu igualdade social plena) e esqueceram que eles, entre tantos homens, eram só homens que talvez esperassem também que, de algum lugar, viesse um salvador, um messias, um D. Sebastião que os salvasse, que os redimisse...

P.S.: Para desanuviar a decepção, lembremo-nos, nesse final de ano, daquele que, realmente, veio para nos salvar...

O 13º.
Amém.

5 comentários:

Guizo Vermelho disse...

De fato, o sebastianismo também está presente na ilusão eleitoral: "Agora vamos rejeitar os políticos antigos e votar só nos fichas-limpa".

Ficha limpa se suja na primeira negociata.

E 90% dos fichas-limpas eleitos têm como financiadores as fichas mais sujas imagináveis!

LL disse...

O 13º... o real salvador das prestações atrasadas!...

Mas tens razão. Pela parte que me toca, e enquanto lusitana, D. Sebastião, em tempos de crise, é visto sempre que há fumo (péssimas escolhas políticas) ou nevoeiro (más escolhas políticas). Pois é convicção, que o jovem rei, surgirá dessa maneira.

Só para acrescentar alguma coisa à tua história: o desejo popular da volta de D. Sebastião, prende-se fundamentalmente com o facto de ele não ter deixado descendência. Deste modo, Portugal, mais uma vez, ficaria exposto aos espanhóis, muito pouco queridos por aqui! Ou seja, como dizes e muito bem, com a sua morte, avizinhavam-se vacas a morrer à fome!

Abraços
Luísa

Anônimo disse...

Condordo com o comentário do Alceu. Quanto ao santo esperado, prefiro contar comigo. As vezes, dependendo de para quem estamos prestando os nossos serviços, nem o décimo terceiro aparece.

Beijocas

Trevo sem Folhas disse...

Me fez lembrar de uma peça teatral chamada Esperando Godeau (acho que a escrita é essa), trata do mesmo tema da espera por um messias, um salvador...

Patrícia disse...

Acho que o ser humano precisa de alguém em quem depositar suas esperanças, por isso alguns só esperam e nada fazem.

Patrícia