quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

50 tons de cinza e o imaginário feminino

O filme é a história de um cara super-ultra-mega-hiper rico para cacete, lindo, super viril e tarado que faz um acordo para submeter uma garota mais nova a todo tipo de perversão sexual que ele tem em troca de... claro, dinheiro, status, poder, tudo isso subliminar para não pensarmos que se trata de uma putinha, mas de uma fêmea em flor adentrando o mundo obscuro dos prazeres humanos e se descobrindo contra tudo que uma cultura machista lhe negou nesses séculos. No final da série de livros, eles se casam (constituem família) e vivem felizes para sempre. Duas mulheres já me contaram a história com significativa empolgação.
Invertendo o foco narrativo, fosse o homem não a mulher satisfazendo seus desejos mais baixos do tipo sadomasoquismo, sodomização de uma mulher com objetos etc, e que ficasse bem claro que ele estava "pagando" para isso. Eu não sei se esse livro seria bem recebido pela galera do politicamente correto e pela sua facção feminista.
A imagem do homem é sempre a do macho babão que fica fixado nas novinhas e não valoriza a mulher que tem em casa. (Outro dia, vi um texto sobre isso com a história da bunda da Paloma de Oliveira) e fiquei pensando: por que, nessa história, nós somos sempre o vilão?
O livro (e seu sucesso) traz a tona um imaginário feminino que não se difere muito do masculino. Sexo em troca de dinheiro, poder, status. Sim. Sem meias palavras, fico pensando se o tal do Christian Grey fosse um daqueles rapazes que empacotam as coisas para a gente no mercado e carregam nossas compras para o carro, ganhando um salário mínimo mais as gorjetas se ele despertaria o interesse em qualquer mulher para viver a loucura de todo tipo de perversão sexual ao estilo do filme. Sim. Estamos falando de dinheiro. Logo, sexo, por dinheiro, prostituição (também não tenho nada contra. Quem se ofende é a mulher é chamada de prostituta nesses casos).
Às vezes, sinto que, na tentativa de igualdade entre os sexos, as mulheres estão se aproximando da maneira de muitos homens em sua forma de ver o mundo e a sexualidade. Infelizmente, assumindo o que, eu pelo menos como homem, considero que temos de pior. Igualando-se pelo pior a um estereótipo de macho como um ato meio que de vingança. Sabe? Aquele mulher que dá para o primeiro mendigo que vê na rua para se vingar do marido que a traiu? Tenho dificuldade de entender isso.
Às nossas queridas mulheres, principalmente, esposas: saibam que nós temos certeza que não somos nem de longe o príncipe que a Disney vendeu para vocês. Não somos bonitos, na maioria das vezes, vocês é que acostumaram com a nossa cara. Não somos ricos como vocês gostariam, mas, na imensa maioria das vezes, acordamos cedo, trabalhamos para caramba, estudamos, juntamos dinheiro, deixamos de gastar com a gente para pensar em vocês e na família... Enfim, somos os caras menos interessantes em todo o universo para se viver um romance como em 50 tons de cinza ou qualquer romance como esses que fascinam o imaginário de vocês.
Somos feitos de carne, osso, erros, defeitos aos montes, sacrifícios diários e com a maturidade aprendemos que boa mulher é a nossa, feita de carne, ossos, erros, sacrifícios, gordurinhas, celulite ou outras coisas que incomodam mais vocês do que a gente.

Realmente, vocês têm razão. Homens não sabem quase nada sobre as mulheres, mas é impressionante a quantidade de mulheres que não sabem nada sobre homens de verdade.


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