quinta-feira, 17 de julho de 2014

Tudo aquilo de que eu não preciso pra ser feliz

Uma das coisas de que mais gosto quando passeio em um shopping é ver a quantidade de coisas de que eu não preciso para ser feliz. Passo pelas lojas e contemplo um monte de coisas que eu poderia comprar, mas que não me despertam o menor interesse. Imagino como dever ser ruim querer aquilo tudo e não poder, mas pensem como é libertador poder e não querer.
Vejo camisas sociais que eu consigo comprar por 80 sendo vendidas por 350. Pessoas comprando uma camisa polo que valeria uns 50 reais por 250 só porque tem uma etiqueta que fará com que os outros pensem que elas têm um dinheiro que não têm.
Equipamentos eletrônicos por duas vezes o preço que compro no mercado livre. Enfim, um monte de coisa que que não quero porque já tenho ou que não quero porque não me desperta o menor interesse. Shopping faz bem para minha autoestima ao me mostrar que não preciso de praticamente nada dali para ser feliz.
Mas o que mais me encanta são as lojas de coisas que eu fico pensando como a nossa vida seria a mesma coisa se elas não existissem. E o mais legal, dada a inutilidade daquilo ali, o preço. Sempre caro pra caramba. Na categoria loja “pra-que-serve-isso-mesmo”, a Polishop é a que mais me encanta. Fico vendo ao vivo como é a mesma coisa que na TV, caro e “pra-que-serve-isso-mesmo”. Um aparelho que faz escova nos cabelos do dedão do pé com ondas de ultrassom, uma coisa que massageia a batata da perna enquanto toca uma musiquinha, um treco que faz batata sem óleo (e sem gosto também)...
Fico olhando a vitrine alguns minutos e pensando: caramba, o que seria da minha vida com os cabelos do dedão crespos, com as batatas da perna tensa e comendo batata feita na fritura?
Seria a mesma coisa. 
Mas tem gente que jura que depois que você compra sua vida nunca mais é a mesma.
Não sei. Tenho minhas dúvidas.
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