sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cara de quem comeu e não gostou

Comer uma coisa nova é sempre um desafio. Sou resistente ao novo e quando viajo, procuro aquilo que já conheço. Sou definitivamente diferente daquelas pessoas que fazem o seu estômago uma espécie campo de provas, um Los Alamos gastronômico (Para quem não sabe, esse era o lugar onde se faziam os testes da primeira bomba atômica).
Gastronomia carregada de temperos, óleos, odores fortes são o prenúncio de uma revolução intestinal e algumas experiências que tive na Bahia me ensinaram que nem tudo que tem nome curioso e folclórico é para ser comido pelo visitante. Em Góias, insistiram para eu comer o tal do pequi. Topei, mas ao colocar no prato, fui advertido: - Não morde não que tem gente que já foi parar no hospital por causa de uns espinhos que tem dentro. Desisti, é impossível para mim comer um negócio que pede um Lexotan para você relaxar durante o consumo. Em Fortaleza, a insistência foi com uma sala de caranguejo. Provei e tive a sensação de que o bicho tinha sido morto depois de uma luta de vale-tudo. O que encontrei de ossinhos e coisas parecidas no meio, me desestimularam a repetir o prato. Em Ubatuba, paquerei a ostra. Daí, perguntei: Parece com o quê? Um colega respondeu – Tem o gostinho de limão que você coloca... mas parece um catarro. Desanimei com a comparação. Um catarro com gosto de limão.
Voltei de Belém há poucos dias e fui extremamente prudente com os sabores da terra que são tentadores por suas cores e cheiros. Daí, lembrei de algumas situações por que passamos quanto alguém lhe serve uma comida diferente.
- E aí? Gostou?
[nesse momento você pensa: minto ou sou sincero?]
- É... diferente, né.
-Você não gostou?
- Não. Não disse isso. Disse que é diferente o sabor.
- Você quer mais?
- NÃO!
- Viu. Você não gostou.
- Não. Eu não quero mais porque estou satisfeito.
- Ah.. mas tão pouquinho!
- Pois é.. eu como pouco.
- Come pouco porque não gostou...
Chega alguém. Um terceiro na conversa..
- Aí, fulano, ele não gostou da comida.
- Eu não disse isso.
- O quê?? Você não gostou...
- Gente, se falar que detestei esse troço e nunca mais caio na besteira de provar algo parecido a gente encerra esse ciclo?
...
Silêncio
- E do doce? Você gostou?
- ..afff

7 comentários:

Maria Souza disse...

Marcelo!
Simplesmente me deliciei com teu relato.
Que coisa impressionante como é tudo assim mesmo (rsrs)

E pior? às vezes insistem tanto que tu precisas comer mesmo...sem choro!

Ah, que legal...
Bah, amei.

Também tive minhas experiências.

Lembro de uma aqui no RGS (cidade de Rio Grande), imaginas que há 30 anos atrás eu acho, mas não esqueci ...conhecendo a cidade portuária fomos no restaurante indicado por moradores, onde se comia o melhor de todos camarões à baiana.

Pedimos.
Quando veio (o garçon) não havia dito nada... fui comer aquilo era pimenta até por aquele lugarzinho baixo (rsrs) ...ai, que horror!
Eu, gulosa, pus uma garfada considerável sem direito à volta e meu rosto pegou fogo na hora!
rsrs

resultado: três dias no banheiro!

beijão...ah, como foi bom ler esse teu texto.
beijos, Maria Souza - Porto Alegre - RS

Eduardo Montanari disse...

Nossa, que conversinha mais irritante. Hahaha... Odeio quando acontece isso também. Dá vontade de introduzir o dedo na goéla e vomitar tudo em cima da pessoa.
Mas brincadeiras nojentas à parte, eu até tenho curiosidade de experimentar pratos novos, desde que eles se enquandrem na "normalidade". Nada de ostras ou caramujos ou coisas desse tipo. Odeio espinhos também. De resto eu até encaro.

MARIA COSTA disse...

Marcelo

kkkk muito bom seu texto.Eu prefiro ser sincera e se eu nao gostei da comida falar a verdade, mas com delicadeza.Os pratos diferentes quando experimento, vou muito pelo cheiro, se nao gostar do cheiro de jeito nenhum eu como.
Bjs

Luciana disse...

Quando fui pra BA tb passei muito mal, a comida é pesada, tempero muito forte.vAcho que todo mundo já passou por situaçoes assim...ou então quando vc não ta a fim de comer a tal coisa, mas tem que comer para agradar e não dá uma de antipático. =)

Luisa L. disse...

Marcelo, que horror! eheheheh

Eu detesto esse tipo de conversa, começo logo a ter a sensação que o meu rosto vai trair toda a minha delicadeza!

Abraços
Luísa

Flávia Damato disse...

kkkkkkkkkkk

Essa conversinha "gastronômica" me rendeu uma baita dor no estômago... mas de tanto rir. Só você mesmo!... rs

Quanto a ostra crua... bem, eu também a vejo como catarro com limão... rsrs
Da próxima vez, experimenta a ostra cozida. É bem menos... "feinha". rsrs

Bjs!

P.S.: Ótimo texto! (novidade, né?)rs

Fábio Henrique disse...

Vc não sabe o que perdeu por não comer o pequi.
Talvez seja bom pelo fato de vc morar em uma região que não tenha, se não iria ficar desesperado para comer novamente.
Piqui é altamente viciante.