sábado, 24 de maio de 2008

Eu quero uma cota para mim

É. Enchi. Não vou mais falar dos comentários completamente estúpidos que as pessoas escrevem nos blogues, mas a pesquisa do comentário mais escroto continua. Se for possível, dê sua opinião. Ela é muito importante para nós (Sempre quis escrever esse slogan de caixa de sugestões em algum lugar... Só não sabia onde).
O fato é que, cada dia, vemos um processo de loteamento social em nome do politicamente correto. Ei, caro colega, não sou racista, nem discordo disso, acho que cada um deve defender o seu interesse ainda que os outros o considerem o mais esdrúxulo que há. O que ora reinvindico é uma cota para mim. Ué, por que não? Há cotas para negros, cotas para portadores de necessidades especiais, cotas para índios, cotas para idosos, cotas para alunos de escolas públicas, cotas para mulheres (em partidos políticos). Os políticos já introduziram há algum tempo a cota para seus parentes que uns mal intencionados chamam de nepotismo, que pecado!
Recentemente, um grupo gay da Bahia propôs uma cota para homossexuais no serviço público. Aí eu acho que complica. Se definir quem é negro é difícil, definir quem é gay então... huummm Não vai dar certo. Corre o risco de, se for aprovado o projeto de lei, termos a seguinte situação:

Concurso público 2009
Entrevista eliminatória

- Estou vendo que o você é doutor em Administração em Harvard, fala três idiomas, tem 10 anos de experiência em multinacionais, mas infelizmente...
- Infelizmente o quê?
- Infelizmente, o senhor não é gay.
- Hã...?
- É. Essa vaga é para a cota de gays.
- Mas eu...
- Desculpe senhor, regras são regras.
- Mas e o meu currículo... eu preciso desse emprego.
- Sr... o senhor não se enquadra nas cotas.
- Mas eu sou meio gay...
- Tem que ser inteiro.
- Eu gosto da Sher, da Madonna...
- Não basta.
- Eu fazia cover do Menudo quando garoto.
- Não é conclusivo.
- Olha, fui criado pela minha avó, sou filho único, adoro usar blusas baby look...
- Por favor, senhor, não apele.
- Quando eu era garoto, eu, eu, eu... eu fazia trenzinho com os moleques e queria sempre ser a locomotiva.
- Senhor, não ofenda minha inteligência... seguranças, tirem-no daqui.
- Os seguranças o retiram da sala que quando arrastado ainda tem tempo de gritar:
- Eu acho o Rodrigo Santoro um gato, eu juro, eu juro...

Pois é... o que me incomoda é não ter uma cota para mim. Calhei de não ser negro (embora tenha tias mulatas, não fui agraciado com um cabelo carapinha, nem pele escura), nasci homem (perdi as cotas de mulheres), estudei em escola pública, mas, nessa altura do campeonato, não quero fazer uso disso para mim, chegou atrasado em minha vida, não tenho nada de índio, aliás, fui ver um de verdade depois de velho e fiquei surpreso que eles não inham cocar e suas peles não eram necessariamente vermelha. Estou longe de ser idoso e a única necessidade especial que tenho é a de escrever (além é claro de ter uma cota para mim) e, por fim, nunca me ocorreu a vontade de ser gay... Gosto de ABBA, mas acho a Sher performática demais... E o Rodrigo Santoro é um cara boa pinta, mas dizer que é um gato... fala sério!
Sugiro uma cota para pessoas que não tem cota. Isso faria justiça àqueles que, como eu, vagam sem o privilégio de usufruir de alguma cota.
Junte-se a nós.
Sem cotas unidos, uni-vos.
Ou, então, passe a achar o Rodrigo Santoro um gato.. por mim, tudo bem.
Você faz a história, você decide...
(também sempre quis escrever isso... agora imagina a musiquinha do programa. Faltava oportunidade. Acabei de gastar)
Postar um comentário