quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O mito da mal amada - o drama feminino

Freud já dizia que o desejo do homem é ser objeto de desejo do outro e assim alimentamos no fundo a vaidade e direcionamos nossa libido. Com base nisso, é fácil entender a mal amada, ou para os mais curtos-e-grossos, a mal comida.
Elas se revelam em ambientes de trabalho ou acadêmicos, pois é o meio que lhes permite projeção e canalização da libido. Apresentam um comportamento obsessivo com a perfeição e controle de tudo o tempo todo. Além, é claro, de uma tendência de agredir tudo aquilo que, de alguma forma, lhes ameaça o status ou o poder adquirido. Normalmente, são solteironas, separadas ou casadas frustradas e infelizes...
Tudo isso nasce na rejeição sexual mesmo (no mal comida) uma vez que o sexo, para a mulher, tende a ser mais do que penetração. Envolve afeto e aceitação que passam pelo beijo, o toque de mão, uma conchinha depois da transa.. Sexo, nesse caso, é bem mais complexo do que para o homem que poderia ser reduzida na maioria das vezes como penetração, ejaculação e sono.
A mulher que tem essa parte mal resolvida sofre com a perda da autoestima de não se sentir desejada em uma sociedade animal em que, culturalmente, é a ela que compete o papel de rejeitar o macho. Dessa vez, o macho não a quer. Ele a dispensa em uma inversão de papéis que ela insiste em dizer que é melhor só que mal acompanhada, que foi ela que escolheu essa condição. E repete essa mentira tantas vezes até que se torne uma verdade. Pelo menos para ela já que a verdade dói demais e mentiras bem intencionadas amenizam a dor. Sempre trazem um alento.
A verdade é que não nascemos para a solidão. Somos seres gregários, precisamos do parceiro, do grupo seja alguém do mesmo sexo ou não. Precisamos do toque, do afeto, do cuidado, do chazinho quando estamos doente e do "eu te amo" e "sinto sua falta" pelo telefone. Nenhuma racionalidade feminista é capaz de apagar o que somos. Somos seres afetivos que buscam parceiros para dividir  o que chamamos de vida.
Sendo assim, quando reprimida essa demanda, a libido precisa ser direcionada para algum lugar, pois é uma energia que não se perde e seu compensatório deve ser feito. Toda aquela força se concentra em um aspecto, o profissional, por exemplo, e forma uma personalidade obsessiva e altamente tensional do ambiente. Eis o mal da mal comida, explicado em parte, afinal, toda a rejeição gera muito mais patologias na alma.
Agora quando você encontrar com aquele pessoa do trabalho que apresenta esse comportamento será mais fácil entender o porque de tanto azedume... Em parte começou em algum momento na violação do axioma freudiano.

Ninguém, nem eu seus sonhos mais masoquista sonha em envelhecer sozinho e, na melhor das hipóteses com sobrinhos, gatos e cachorros para chamar de seu.

[Atenção! Esse texto trata única e exclusivamente de "pessoas" mal amadas e mal resolvidas (homens ou mulheres) e não de pessoas que vivem sozinhas por opção que respeitamos e entendemos como uma escolha legítima, exercício pleno de seu livre arbítrio.]

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