Vivemos um período em que, todos os dias, as pessoas repetem que estão cansadas, estressadas, esgotadas. E repetem isso o tempo todo. A vida fica, de fato, pesada, cinza e cansativa quando lembramos continuamente ao nosso cérebro que viver é estressante. E, acredite, ele já sabe disso.
Aí diriam os reclamões contumazes: “Então, não posso nem reclamar?” (Aliás, isso também já é uma reclamação.) Eu digo que pode, sim. Podem reclamar. Aliás, podem e devem. Mas repetir incessantemente ao cérebro que ele está no limite, quase pifando, até que ele se convença e pife, não me parece a atitude mais sensata.
Se você constata que está em estado de estresse — e isso é um fato, não uma infantilização da ideia de que viver é, de alguma forma, estressante para todo mundo, embora em níveis diferentes —, você já tem metade da solução. Identificar o problema e entender que há duas saídas: resolver (quando podemos) ou aprender a lidar com ele (quando não podemos).
Se a solução está ao seu alcance, trabalhe para resolvê-la. Movimente recursos, direcione energias, peça ajuda. Se a solução não existe — pelo menos por enquanto —, entenda que você terá de conviver com isso. A única escolha que resta é como: com dor ou com menos dor. É essa a escolha que a vida oferece.
Se não está conseguindo lidar, converse com alguém: um amigo, um psicólogo, um pastor, um padre ou seu pai de santo — sei lá. Fale para elaborar essa adaptação.
Mas não converse apenas para repetir que está cansado, esgotado, no limite. Seu cérebro não aguenta mais ouvir isso. Ele já está saturado e dá sinais claros. Fale sobre o problema e escute o olhar de quem está de fora. Aprenda a ouvir.
Isso é mais inteligente e mentalmente mais saudável. Mas, veja bem, isso ainda é só parte da questão.
A maior parte está em você mesmo.
“Ah, Marcelo, mas você diz isso porque não passa pelo que eu passo!”
Pode ser. Afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde.
Amadureça.
