terça-feira, 6 de setembro de 2016

Nossa adorável ignorância

Certo dia, eu conversava com um conhecido bem mais novo do que eu e dizia que com o tempo a gente tem muitas das certezas desfeitas, contava a ele, advogado recém formado, que a realidade nos dá um choque e desmonta tantas teorias que temos quando mais novos...
Bem típico da geração mais nova que exige o direito de falar, mas entende o dever de ouvir como um ato opressor de uma elite dominante (e blá, blá, blá...mimimi), ele ouvia com ar de enfado enquanto eu, estupidamente, perdia o meu tempo falando coisas que ele só entenderá em uns 15 ou 20 anos.
Eu contava para ele que as certezas se desfazem de uma forma absurda e nos sentimos um pote de dúvidas.
Nós nos tornamos órfãos ideológicos e as convicções tão firmes deixam até saudade quando vão embora.
A fala foi curta, mas o suficiente para ele dizer que ainda bem que ele já sabe de tudo isso aos 25...

Encerrei a conversa depois disso.. Realmente, não há o que dizer para alguém que já atingiu um nível tão elevado de consciência tão cedo... No episódio, quem aprendeu alguma coisa fui eu mesmo. Aprendi a calar e entender o tempo de cada um, a começar pelo tempo da cegueira. Até porque, por mais que eu já tenha vivido, vivo minha cegueira pessoal dos 45 anos.

Naquele momento, da arrogância aos 25 eu não senti falta, mas da minha imensa ignorância e do pouco conhecimento que tinha sobre mim bateu uma saudade que doeu demais. 

Não saber é, muitas vezes, um anestésico da alma.
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