quinta-feira, 4 de agosto de 2016

As Olimpíadas e os conscientes de ocasião

Então, começam as Olimpíadas. Mais uma.. e pensar que há alguns anos, quando aprovaram o Brasil como sede, a gente pensou: Caramba! Mas está longe! Nossa, nem se se vou estar vivo. Mas se você está lendo, a resposta é sim. Você está vivo. Mas cheque o pulso por desencargo de consciência.
O fato é que o evento desde o início já despertou amor e ódio por toda parte. Não temos hospital decente e queremos ter Olimpíadas, não temos segurança, não temos educação de qualidade, o Brasil está quebrado.. Sim tudo isso é bem verdade, mas o que perpassa nessas contraposições ao evento não é uma indignação contra o evento, mas contra o descaso e incompetência administrativa de uma mesma classe política que vem se reelegendo há décadas. Acho que esse indignação deveria ser guardada para as urnas...
Penso que as Olimpíadas são a sublimação máxima de nossa barbárie. Entre nós, humanos, a coisa sempre foi resolvida na base da porrada. Quem tinha o exército mais forte, quem tinha os soldados que lutavam melhor, que arremessavam mais longe, que carregavam mais peso, que se organizavam estrategicamente melhor... Isso tudo gerava um resultado, mais danos ao inimigo, mais mortes, mais submissão.
Mas aí, parece que os gregos, lá pelos 2500 aC, entenderam que a superioridade de uma Cidade-Estado sobre outra poderia ser mostrada com jogos em que as habilidades se fizessem bem explícitas. O povo que vencia as competições deixavam meio que uma dica do tipo "olha, nós temos os guerreiros mais aptos para o combate"... Era como uma tiro de advertência. Era um #ficadica da época. Isso sem precisar de matar ninguém.
Muitos séculos depois, um historiador e pedagogo francês chamado Pierre de Coubertin, mais conhecido como Barão de Coubertin, teve a ideia, depois de um século de guerras sangrentas na Europa, em 1896, ressuscitar os jogos de tradição grega no mês de abril daquele ano. E de lá até hoje, são quase 30 edições e, nesse meio tempo, só paramos o ciclo de 4 anos para nos matarmos na primeira guerra e na segunda, porque, afinal, ninguém é de ferro.
Então, aonde eu quero chegar?
Quero chegar no ponto em que se tendo ou não Olimpíadas os problemas que as pessoas apontam seriam os mesmos porque a questão está em uma classe política podre e corrupta que conta com a conivência de milhões que os elegem movidos por ingenuidade ou má fé mesmo. E sou capaz de apostar que muita coisa está melhor porque os olhos do mundo estão apontados para nós e se tem uma coisa que nossos dirigentes não são é burros.
Creio que se ficarmos olhando o copo meio vazio, lamuriando, achando tudo para criticar não vamos mudar nada e, sinceramente, acho de uma ingenuidade imensa alguém imaginar que o seu tom de crítica lhe dará aos olhos alheios uma imagem de pessoa consciente. Paira no ar um misto de tolice e hiprocrisia, bem ao tom das redes sociais.
A festa é bonita, começa agora e podemos escolher de prestigiar esse momento único no mundo ou ficar posando de crítico-consciente-ideológico-contestador-hipócrita-babaca de textão no facebook, famoso revolucionário de teclado e mouse..

Guardem a indignação para as urnas... Só faltam dois meses. Se gastar tudo agora, não sobra para outubro.

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