segunda-feira, 2 de março de 2015

A minha adorável estupidez

Percebemos o quanto ficamos sábios em dois momentos bem nítidos da vida: na medida em que percebemos o quanto fomos idiotas no passado; e segundo, na constatação de o quanto somos imbecis no presente em atitudes que pediriam um pouco mais de maturidade, só isso.
Das atitudes tolas do passado só nos resta lembrar com lástima penosa. Olhar para trás e torcer para que as pessoas que foram testemunhas tenham esquecido daquele fato, tenham apagado de suas memórias. O que de fato é o mais comum, pois, no mais das vezes, só nós, a ele, demos essa importância toda. Às pessoas, nossos fatos lhes são, no mais das vezes, invisíveis. Ufa!
E não são os fatos que careciam de nossa inteligência, mas os que imploravam por nossa maturidade no trato da coisa. Mas como cobrar o professor do aprendiz antes de lhe ensinar? Agimos, então, de forma ignorante, no sentido próprio da palavra, desconhecendo como agir. 
O outro índice da sabedoria são as atitudes tolas que temos agora. Aquela de hoje de manhã, a de 30 minutos atrás que, quando aprendemos com as antigas, vão rareando, mas seguem sempre lá. Sempre a nos lembrar de quem somos e de onde viemos. Estas também são positivas um vez que funcionam como um alerta da próxima sandice, ainda que inevitável, iminente a todos.
Quando enxergamos essa nossa linha da existência pontilhada de equívocos é que começamos a amadurecer. Digo, começamos, e quando maduros como a fruta, caímos do pé, na terra à terra, do pó ao pó.

Feliz de quem enxerga, aprende e ri de sua estupidez de ontem, de hoje e a de amanhã, pois somos assim, tolos por natureza. Só nos é legítima e inalienável a estupidez. No mais do tempo, fingimos para enganar o vizinho que, se desconhecendo sua própria tolice, encontra-se longe de ver o que não queremos mostrar.
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