quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Experimentando a vergonha nacional

Há alguns meses, precisei comprar um software de edição de vídeo aula de uma empresa estrangeira (acho que canadense). No site, havia dois preços: um para pessoas em geral e um para professores, um vez que eles queriam que professores usassem a ferramenta para gerar gravações de telas com explicações e aulas digitais. A diferença de preço entre as duas formas de pagamento era significativa. O preço para professor era pelo menos uns 50% a menos do que o preço para público em geral. Entrei em contato, pedi o software com o preço de professor, afinal sou professor mesmo há mais de 20 anos e efetuei o pagamento. Separei, então, todos os comprovantes que poderiam justificar minha condição que, mesmo estando em português, sempre tem nessas empresas alguém que é falante de Língua Portuguesa que pode comprovar, separei contatos com o local de trabalho e me preparei para enviar.
Mas para minha surpresa, o link para download veio antes de eu comprovar qualquer coisa, eu baixei o programa e entrei em contato perguntando para onde eu enviaria os comprovantes de que sou professor. Ao que o atendente do suporte me respondeu em um inglês curto e direto como se meu pedido fosse algo meio absurdo e fora dos padrões naquele processo:

- Mas você não disse que era professor no cadastro? Isso basta. Não precisa mandar nenhum documento.

Li aquela resposta várias vezes e atentamente. Por algum tempo senti uma imensa vergonha de ser brasileiro. Não respondi o email do suporte com mais nada além de um envergonhado e lacônico..

Thank you.


P.S.: em um país onde se falsifica carteira de estudante para pager meia, documento de deficiente para comprar carro mais barato, comprovante de residência para pagar IPVA mais barato etc. Comprovar um afirmação com a sua palavra beira o inconcebível.
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