quarta-feira, 14 de maio de 2014

Teatro de horrores de personagens patéticos


Uma vez eu escrevi sobre o poder que deforma aqui no saco de filó. Hoje cedo, acordei com uma postagem de uma frase atribuída ao presidente do Uruguai José Mujica, o popular Pepe Mujica, um cara do bem, bacana mesmo. Uma exceção no meio de tanto Zé Ruela da política mundial. Ele dizia que o poder não muda as pessoas, mas as revela verdadeiramente.
Na minha trajetória de vida, vi o que o poder pode fazer com as pessoas. Ele funciona como um potencializador de suas características. Ele não o muda, ele o potencializa no que você já é.
Se você é um tirano, mas sublimado pelas circunstâncias, quando exposto ao poder se torna o maior de todos os tiranos. Se você é falso e maldoso, quando em situação de poder, sua falsidade e maldade se elevam a níveis inimagináveis. Por outro lado, quando você é bom, sua bondade se expande. No caso da segunda situação, um fato muito raro. Ninguém fica indiferente ao sabor do poder.
Vi muita gente se potencializar para o mal (normalmente o mais comum) por causa de um carguinho de merda de diretorzinho, coordenadorzinho, chefezinho de departamentinho, presidentezinho etc. Situação tão passageira quanto a própria vida, mas que eram/são vividas como o ápice da sua existência. Uma espécie de um gran finale de uma história medíocre daquilo que denominam vida. Por conta disso, mentiram, traíram, falsearam e se aliaram ao mal para manter o seu palco em um espetáculo trágico, cômico e patético.
Um dia, eu cansei de assistir esse espetáculo. Levantei do teatro e deixei os artistas falando sozinho. No fundo, nem viram que eu saí, pois desfilavam em monólogos desconexos no seu cenário sem se enxergarem. Cheguei à conclusão de que o problema não eram eles, mas eu. Eu havia cansado daquela peça. Tenho certeza hoje de que o problema está comigo e com meu cansaço. Não querer fazer parte do circo de horrores é, de certa forma, ser um horrível marginal.
Mas o tempo urge e a vida pede o essencial.
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