segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Qual o preço da justiça das ruas?

Existe um abismo entre o que pensamos, o que falamos e o que fazemos. A sociedade criou um sistema de coerção (para o bem da nossa convivência) que permite que essas três instâncias da nossa existências sejam bem policiadas. O que fazemos é restrito por leis que limitam as ações e garantem os direitos de nossos semelhantes, o que falamos é limitado pelo senso comum e pelo politicamente correto que nos dá fronteiras em que nossas palavras seriam agressivas e feririam o próximo. Por fim, restou o que pensamos. Um território quase incontrolável e desprovido, muitas vezes, de todo e qualquer limite que não os definidos pelos instintos animais mais primitivos nossos, proteção, destruição, vingança e vai por aí.

Falo isso por que os eventos recentes de um bandido amarrado pelado na rua de um bairro da zona sul do Rio de Janeiro, trouxe a tona essa questão. O ponto em que o universo do que pensamos começa a invadir o que falamos e o que fazemos. O que pensamos, para o bem comum, vai continuar sendo essa coisa bizarra e escrita em todos nós (todos mesmos, menos nos hipócritas) e deve ficar nesse universo. Quando tudo isso começa a ultrapassar os limites despertamos para essa transposição de universos começamos lidar com extremos da existência humana que comprometem a convivência social.
Não defendo bandido. No fundo, não estou me preocupando muito com ele não... (ops, escapou meu pensamento mais primitivo), mas me inquieta que, em nome da paz urbana, algumas pessoas saiam praticando justiça a seu modo e com os seus critérios pessoais que, hoje, são esses, mas amanhã, podem ser critérios que comprometam os meus interesses e minha liberdade de alguma forma. Imagina, por exemplo, uma milícia ideológica ou religiosa operando conforme seus valores...
Fiquei chocado não com o bandido, mas com a ação dessas pessoas que, agindo assim, se igualam aos marginais e também me chocou a onda de hipocrisia no facebook de um discurso de direitos e dignidade humana de gente que, no fundo, acha que esse camarada merecia é uma bala na nuca, mas que jamais diria isso, porque, adequadamente, mantém guardado nos pensamentos o seu lado mais escroto e cruel. 
Assim como eu o faço. 
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