sábado, 4 de agosto de 2012

Quando a ideologia legitima a violência...

Quando os argumentos cessam,
a violência convence.

Cresci em uma geração que aprendeu que violência de direita é crime, de esquerda, é luta por igualdade. Uma geração que trazia ídolos como Che guevara em uma camiseta de malha vermelha e se esqueciam de que aquela história de endurecer sem perder a ternura era conversa mole para boi dormir, pois, no paredão, chefiado por ele em Cuba, não havia ternura, mas ódio, revanchismo e loucura doutrinária. 
Falo isso, pois toda vez que vejo uma greve como foi a dos caminhoneiros recentemente, fico incomodado com os métodos de “convencimento”. Reinvidicar seus direitos, sejam eles justos ou não (não entro no mérito da questão aqui), é um direito seu, mas até que ponto o exercício do seu direito permite o cerceamento do meu. Vi na TV vários caminhoneiros (contrários à greve) que queriam trabalhar, mas tiveram o caminho bloqueado, o vidro do caminhão quebrado e sofreram ameaças físicas... E viva a democracia autoritarista que é professada pelo sindicatos há décadas. Você tem o direito de participar da greve e se não o exercer, nós o enchemos de porrada e tacamos fogo no seu caminhão... O que você escolhe? Nada como poder escolher, não é não?
Se a polícia tivesse intervindo e baixado a porrada nos líderes do movimento era um ato de violência e autoritarismo, mas se os líderes do movimento obrigam a adesão por meio de violência e coerção, não se trata de uma violência, mas de uma luta por direitos que conduzirão a conquistas para o bem comum... Sim. Entendi.
Quer dizer que dar um murro na cara de alguém não é violência, mas seu um homem de farda da um murro na cara de alguém é... Entendi.
Mas preferiria não ter entendido.

P.S.: E as viúvas do muro de Berlim retrucam que isso foi o que a TV mostra para desmoralizar os mártires do movimento. É verdade, esqueci que as TVs só mostram mentiras. Os únicos meios de comunicação que dizem a mais absoluta verdade são os jornaizinhos do PSOL, do PCB, do PC do B e dos sindicatos.

2 comentários:

Almir Ferreira disse...

Olá Marcelo,

Talvez a sua geração seja mais ou menos a mesma da minha (tenho 35 anos) e de fato aprendemos que violência de direita é crime, de esquerda, é luta por igualdade. Afinal vivíamos uma ditadura de direita no país, patrocinada pelos Estados Unidos, enquanto que pessoas como de esquerda como Che Guevara, que você tanto parece odiar, lutavam e deram a vida para libertar os povos da América do jugo capitalista, num atitude nobre.

Mas pobre Che, se esqueceu que muitas pessoas estão tão alienadas pelo sistema, que fazem questão de defender os grilhões presos ao corpo.

Eu não vi esses "vários caminhoneiros querendo trabalhar", como você disse. Eu vi alguns deles querendo furar a greve, seja por esta ou aquela razão, e é natural que sofram rejeição dos companheiros. Não há nada pior do que furadores de greve. São pessoas sem espírito de classe, acomodadas, egoístas, que pouco se lixam para a categoria que pertencem, enquanto usufruem igualmente das conquistas da greve, muitas vezes na base do suor e do sangue dos companheiros.

Eu não acho que os tais "jornaizinhos" políticos e sindicais digam a verdade. Tanto eles quanto a grande imprensa oligárquica têm interesses envolvidos em cada notícia. Cabe ao leitor ter a capacidade de discernimento para julgar criticamente o que é válido ou suspeito, em vez de já ter uma visão ideologicamente pré-concebida na cabeça. Para pessoas assim, a verdade não está em lugar algum ele só enxerga o que querem que ele veja.

Grande abraço,
Almir Ferreira
Rama na Vimana

Marcelo Leite disse...

Bom, obrigado pela participação, Almir. É sempre bom, comentário de gente inteligente.

Primeiro. Não odeio Che Guevara, só não o idolatro porque discordo de seus métodos ainda que suas intenções tenham sido boas.

Os colegas "acomodados", "sem espírito de classe", egoístas estão exercendo um inalienável e sagrado livre arbítrio. Quer concordemos ou não, é o respeito ao exercício do livre arbítrio do outro que legitima o nosso.

Abraços

Marcelo