quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O violoncelo no canto da sala


Estudei dois anos de violão clássico no Pró-Música em Juiz de Fora e parei, por causa do meu mestrado em Letras. Tempos depois, estudei violoncelo em Valença... mais uns dois anos e parei por causa do doutorado. Tentei retomar os estudos recentemente, mas com dois filhos, casa e trabalho, fica difícil. Enfim, aguardo o momento de retomar mais uma vez e, quem sabe, parar por outra razão.
As pessoas podem dizer que tudo foi uma questão de falta de disciplina e força de vontade e as deixo livres para os julgamentos, mas retruco que não foi. O meu violoncelo repousa em meu escritório no canto, sob um suporte próprio para o instrumento. Todos os dias eu o vejo, todos os dias ele me vê.
Ele fica ali para me lembrar que mesmo que a gente tente e pare, e tente de novo. O importante é continuar. Paradas são vieses estratégicos, perder de vista o que queremos é outra coisa. Isso é desistência, isso é capitular. 
Eu sempre digo a minha esposa que uma das metas de minha vida é me formar em violoncelo em um conservatório musical. Eu sei, ela sabe e ele, canto da da sala, sabe também. Ele não desistiu de mim e nem eu dele. Será aos 50 anos, aos 60 anos, aos 70? Não sei. E nem ele sabe, mas, pacientemente, me aguarda no canto da sala, me espera com seu olhar marrom.
O que mantém a certeza dele sobre minhas promessas é que ele sabe que podemos esquecer de tudo, mas nunca esqueceremos quem somos, nossos sonhos e em que acreditamos. Isso é atemporal.
Enquanto isso, ele me aguarda. 
Deixar os seus "violoncelos" no canto da sala é uma boa receita para nunca se esquecer de quem se é.
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