sábado, 12 de março de 2011

O segundo melhor ator coadjuvante da própria vida

Ariovaldo sempre fez figuração na própria vida. Foi amigo do garoto que ficou rico, foi colega daquele que virou jogador famoso, sentou ao lado do homem que apareceu na TV. Faz faculdade que escolheram para ele e conseguiu o primeiro emprego porque seu pai ajeitou  no escritório de um amigo. Casou com uma mulher que já tinha filhos feitos por outro e não animou de fazer os seus. Torcia para um time que sempre comemorava o vice campeonato todo ano. Na única oportunidade que teve de disputar uma corrida chegou em segundo, mas o terceiro era um manco que serviu como exemplo de superação e apagou sua façanha. Na loteria acertou quase todos os números quase sempre e quando acertou dividiu o prêmio com mais um milhão e meio de acertadores. Ganhou 20 reais de prêmio, apostou de novo, e perdeu os 20 reais. Um dia, atravessando a rua em que passava um carro de bombeiro para apagar um incêndio imenso, distraiu-se e foi atropelado. Não pelo caminhão, mas por uma bicicleta que seguia na contramão. Bateu a cabeça e morreu. 
No céu, foi recebido por São Pedro com a chave que foi entregue ao homem que vinha logo atrás dele e a ele, o título de segundo melhor ator coadjuvante na própria vida.

7 comentários:

Histórias & Estórias disse...

O que é isto? Trágico ou cômico? Não sei se rio ou choro. Se penalizo ou regozijo. O que é isto?

Neutro, morno, translúcido, incolor, insosso?Ironia por demais.

O que é isto?

De certo, foi que eu gostei!

Anônimo disse...

Eu vejo tudo isso de forma positiva. Antes ser segundo do que ser terceiro, quarto... ou nao ser nada. O cidadão também aparecereu, sentiu, ganhou viveu bons momentos e até no acidente acho teve sorte - apesar da morte, prefiro a bicicleta ao caminhão dos Bombeiros. Gostei muito. Abraço, Marcelo.

Daniel Hirschmann disse...

A vida tem dessas mesmo, hehehe. Aqueles cujo maior mérito é conhecer um famoso, tirar foto com uma celebridade... Mas, afinal, se não fossem os coadjuvantes, o que seria dos atores principais, não é?

Eduardo Montanari disse...

Interessante, mas meio melancólico. Deu vontade de fazer uma tirinha em quadrinhos sobre isso.

Maria Marçal disse...

É o resultado de uma realidade.
Gostei muito.
beijos, Maria Marçal - Porto Alegre- RS

Carlos disse...

surpresa! você é um puta contista, professor!

Horário Extra - Português disse...

Hilário, mas já está beirando o trágico. hahaha.

Parabéns, professor!