quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Por quanto tempo se engana as pessoas?


É possível enganar todas as pessoas durante parte do tempo ou enganar parte das pessoas durante o tempo todo, mas uma coisa é impossível: enganar todas as pessoas o tempo todo. Vemos governos que tombam um atrás do outro e criam um efeito dominó quando se vê pela televisão que derrubar um ditador é possível. Ainda hoje, no século do individualismo, interesses coletivos se levantam em nome da liberdade. 
Em ambiente de trabalho, segue-se a mesma linha. Canalhas se revelam e caem com o tempo, enrolados na própria corda que teceram. Eles chegam, fazem seu marketing, conquistam a simpatia, ganham a confiança dos chefes que, normalmente, trazem consigo o dom de dar ouvidos às pessoas que menos merecem ser ouvidas. Ganham credibilidade e todo aquele que se levanta para gritar que "o rei está nu" (como na fábula da roupa nova do rei) é imediatamente execrado pelo púlpito conquistado pelo célebre canalha, que se não tem nenhum caráter, traz o carisma que seduz os tolos.
Cegos, todos caminham atrás deles que contam sempre com a sorte daqueles que a incompetência esqueceu de favorecer. Segue-se, então, o ápice da parábola e, logo a seguir, a queda vertiginosa e o rastro de destruição de suas ações. Todos execram seu nome e suas ações. Maldizem-no e suas gerações....
Vem um tempo de calmaria e de reestruturação. Trabalha-se muito para reerguer-se das cinzas e do rastro de danos que ele deixou. Renasce-se, então, dos escombros.
Até que um dia, surge outro canalha com um sorriso no rosto, com uma conversa sedutora. Os chefes mais uma vez fecham seus ouvidos (como sempre) e seguem o canto das sereias. O ciclo recomeça no eterno pulsar da vida...
Tudo de novo, outra vez e sempre, mas nunca o mesmo o tempo todo, pois mesmo os canalhas se revezam no ofício. É a ética amoral da classe...


4 comentários:

Jorge Purgly disse...

Muito interessante sua abordagem, Marcelo, notadamente numa época em que as coisas estão ocorrendo com maior velocidade.
Um abraço,
Jorge Purgly

Jackie Freitas disse...

Olá Marcelo!
Gosto muito da forma que você se expressa! Eu tenho comigo que, mesmo sendo torturante conviver com pessoas falsas, as máscaras caem, pois, concordo contigo em gênero, número e grau: é possível enganar todas as pessoas durante parte do tempo ou enganar parte das pessoas durante o tempo todo, mas impossível enganar todas as pessoas o tempo todo!
Talvez seja um defeito meu, mas me coloco sempre de pé atrás, principalmente com pessoas que notadamente tentam manipular as outras através de fala doce, sorriso amarelo, mas que não são capazes de olhar os outros dentro dos olhos! Essa é para mim uma prova de quando usam máscaras: não conseguem sustentar seus olhos falsos dentro dos olhos dos outros!
Mas, acredito ainda que o tempo faça com que elas se enrolem em suas próprias mentiras... Enquanto isso, do outro lado, ficamos mais fortes e melhores observadores para que no surgimento do próximo mascarado, saibamos dar a corda e o tempo para que ele se enforque.
Grande beijo,
Jackie

Luisa L. disse...

Marcelo,
O curioso é que, com o passar do tempo, quando os vimos surgir eles já não nos enganam. Sabemos exactamente o que querem, para onde vão e como vão acabar. Eles existem e continuarão a existir, porque é preciso passarmos por muitas experiências idênticas, para termos consciência que estamos a ser enganados.
Abraços

Victor S. Gomez disse...

Uma hora a máscara cai, aí é que vamos ver quem é que se esconde por trás.

Está ficando bonito seu espaço, bem clean.
Abraços