terça-feira, 24 de agosto de 2010

Que exemplo deixamos para nossos filhos?

Os filhos espelham os pais. Antes de ser pai, sempre achei que isso fosse filosofia barata. Mas tenho tido inúmeras razões para acreditar que a coisa vai além das palavras.
Outro dia, durante uma aula em que eu explicava o que pressupomos e o que subentendemos em um texto. Eu disse que é possível, na frase “Maria parou de fumar”, pressupor que Maria fumava, com base na expressão “parou de”. Então, perguntei por que as pessoas achavam que Maria parou de fumar. As opiniões foram várias: tinha força de vontade, porque sofria de problemas respiratório, porque se sentia discriminada, enfim, cada um opinava e criava um subentendido com base no que tinha como vivência pessoal.
Foi nisso que uma aluna disse que Maria parou de fumar porque tinha uma filha pequena. Questionada com a relação entre parar de fumar e ter um filho pequeno ela explicou que ela (a aluna) fumava e que decidiu parar de fumar quando viu sua filha brincando com uma caneta, como se fosse um cigarro. Isso explicou tudo.
Fui pensando nisso durante o caminho para casa. Uma hora de volante dá pra mastigar muita idéia. No dia seguinte, em casa, sentei para ler o jornal como sempre o faço nas minhas curtas horas vagas. O meu pequeno Daniel (de dois anos e meio) se aproximou, pegou um dos cadernos do jornal (Valor Econômico) arrastou para o quarto dele. Não sem antes dizer: papai, eu qué lê.
Cheguei de mansinho no quarto e simultâneo ao Barney que passava na TV, o meu menininho me imitava com o jornal aberto e dizia: esse é o A, esse é o O.... esse é D de Daniel...
Com um sorriso que se espalha na alma, entendi tudo. Entendi e me pesou como toneladas a responsabilidade saber o que podemos deixar para nossos filhos.


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