sábado, 6 de setembro de 2014

De médico e louco... Será que todo mundo tem um pouco? Ou um muito?

Paro de ler meu jornal...
Penso que tenho sérias razões para crer que estamos vivendo uma epidemia de paranóia de perseguição. No trabalho, em casa, no clube, nas ruas em todos os lugares encontro pessoas que incorporam ideias obsessivas que assumem tom de verdade absoluta. Chego a me perguntar se não estão certos e eu é que estou alienado a tudo e todos, uma espécie de autismo opcional de minha parte.
Conheço pessoas que têm certeza de que perderam o emprego ou o relacionamento por causa de conspirações que vão além da nossa compreensão. Tramas engendradas de tal forma, envolvendo mentiras, jogo de poder, rancores, armadilhas de linguagem, arrivismos internos, enfim, elementos de uma trama de Hollywood. Há conspirações por toda parte e aquela pessoa que te sorri, na verdade, aguarda o momento para, ao ouvir a palavra-chave, fazer o seu papel na imensa trama para puxar seu tapete ou desforrar um rancor guardado há anos de algo que você nem sabe que foi capaz de atingi-la... Há uma enorme armação para o destruir, para o desacreditar.
Os sorrisos de canto de boca, as demoras em responder uma pergunta ou mesmo os "silêncios" são os sinais inequívocos de que a verdade está lá fora e é mais cruel do que se imagina contra você... 
Foram mais de 5 anos de psicanalista/psiquiatra que me ajudaram a não dançar essa música, a não vestir o personagem, a não incorporar essa paranóia do mundo moderno. Todo mês tive a oportunidade de ir a minha consulta para que eu pudesse perguntar: - eu já enlouqueci? Só eu que não vejo isso? Tem mais gente vendo? 
Enquanto isso, alguém sussura pelos cantos, devem estar conspirando contra alguém(??)... Não acredito que seja contra mim.. mas se for, sinceramente, foda-se... continuo a ler o meu jornal.

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