domingo, 7 de março de 2010

Diálogos circulares.

- Arnaldo, tava pensando em sair. Sei lá... dar uma volta.
- Onde você quer ir?
- Ah sei lá.. qualquer lugar. Tô tão sem ideia
- Não tenho idéia também.
- Qualquer lugar mesmo. Escolhe aí.
- Vamos a um cinema, deve ter um filme legal.
- Ah, não! Cinema... não. Prefiro alugar e ver em casa.
- Teatro...
- para ver o que? Tá tão sem peça interessante.
- Ué. Então escolhe qualquer lugar.
- Não escolhe você. Tô sem idéia.
- Huuumm. Vamos a um motel.
- Ai. Você só pensa nisso...
...
- Vamos ao shopping....
- Essa hora não tem mais nada para ver.
- Vamos ao zoo...
- Huum... Que programa de criança!
- Pois é... estou ficando sem idéia
- Sei lá, amor, uma coisa divertida...pensa aí.
- Futebol?
- Não tenho paciência pra estádio.
- Um restaurante?
- É talvez.. escolhe aí...
- Uma pizzaria?
- Ah, não massa não. Eu estou uma anta de gorda...
- Churrascaria?
- Não agüento aquela barulheira.. Vai escolhe aí.. qualquer lugar eu topo. Tô tão sem idéia...
- Lanchonete?
- Não.. Muito chulezinho.. queria uma coisa mais interessante que justificasse eu me arrumar. Eu não me arrumo nunca, né...

Meia hora depois...

- Sabe qual é o nosso problema, Arnaldo? Eu fico nessa casa, trancada, não saio nunca. Você não. Você sai, vai para o trabalho, vê pessoas diferentes... A gente precisa sair, passear.. sugere um lugar.. sei lá,... qualquer um.. me diz e eu topo. Tô tão sem idéia. Se não eu dava uma sugestão, mas poxa, Arnaldo, agora é com você. Eu não tenho que decidir tudo sempre, né

E Arnaldo espumava verde no canto da boca com o corpo largado sobre o sofá.

***

[Em homenagem ao dia 8 de março e à minha esposa Camilla que me tortura com essas coisas, mas por quem eu sou apaixonado e não vivo sem a ela]

7 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Marcelo
Bela homenagem, com um texto real que acontece com vários casais.
Abração

Eduardo Montanari disse...

Ah, eu acho que não sirvo pra casar. Se fosse comigo eu me arrumava, saía e deixava ela plantada em casa. hehehe... Haja paciência.

Luisa L. disse...

Olá Marcelo!

Excelente texto. Realista. Mas como se trata de uma homenagem (?) o personagem masculino poderia ser mais cooperativo, não é? ahahahhah

Grande abraço!

Luísa

joao Assis disse...

Amigo Marcelo,

Que texto genial,resume perfeitamente oque acontece na maioria dos lares do mundo,acredito eu.

Parabéns por essa obra prima.

Um forte abraço.

jotapeh9907 disse...

E assim mesmo!
Seu texto resume o cotidiano de muitos casais

Flávia Damato disse...

rs...

Lá em casa é o contrário. "Amor, gostei dessas duas camisas (uma preta e outra branca) e fiquei na dúvida... Qual delas você acha que eu devo levar?", pergunta meu marido. "Leva a preta, você fica bem com cores escuras", respondo pacientemente. "Ah, não. A preta esquenta muito, e nesse calorão eu vou derreter". (???)

...

De onde veio essa tem muuuuuuuito mais! rs
Senti-me um Arnaldo da vida.

P.S.: Homem assim é ainda pior. rs

Fábio Henrique disse...

Vc queria dizer que não vive sem as ideias dela, não é?