sábado, 30 de janeiro de 2010

O dia em que as coisas perdem a graça

Acabei de vir da pracinha com meu filho. Ao redor havia muitos pais e mães que conduziam seus filhos de um brinquedo a outro. Eu empurrava o balanço do meu garotinho que seguia aquele movimento de vai-e-vem até parar por falta de impulso. Saí de um balanço e fui para outro do lado e fiz a mesma coisa. Meu filho dava risada durante o balançar e quando diminuia gritava: "qué". Para eu continuar dando embalo ao movimento.
Saímos dali e fomos para um brinquedo que rodava e ficava assim o tempo todo. As crianças faziam fila. Depois, passamos para uma gangorra e logo mais um escorregador. As trajetórias se repetiam inúmeras vezes. Um brinquedo balançava, outro girava, outro subia e descia... o outro.. era uma rampa em que se descia escorregando. Para mim, banal e repetitivo, para meu filho o ponto máximo de diversão de seu dia. De uma forma ou de outra, eu me divertia. Não com o brinquedo, mas com a felicidade dele.
Penso que a gente envelhece não é quando o tempo passa, quando o corpo enfraquece, quando as rugas aparecem. Envelhecemos quando as coisas perdem a graça e os brinquedos se tornam meros objetos de movimento circular, semi-circular, rampas deslizantes e vai por aí.
Reaprendi a graça que isso tem de novo, hoje, com os olhos do meu menininho.

8 comentários:

Luisa L. disse...

Sem dúvida. Eu também reaprendo a graça de certas coisas diariamente. Um destes dias reaprendi a graça de fazer massa de pão para moldar bonequinhos. Diverti-me!

Reaprender a graça das coisas dá-nos uma dimensão diferente dela, mas pode ser igualmente boa.

Grande abraço
Luísa

Montanari disse...

Pois é, as vezes precisamos olhar pra conseguir enxergar.
Eu tenho um livro que se chama O valor das pequenas coisas que fala muito disso.
As vezes na nossa correria em crescer, amadurecer e tentar ser alguém, acontece a ironia de justamente esquecer quem nós somos. Somos ainda aquele menino que girava no brinquedo, achava um escorrega a coisa mais alta do mundo e derrubava metade do picolé na camisetinha branca.

Nando disse...

O tempo passa e o silência vai tomando conta de mim.

Carol Mioni disse...

Acho que nunca vou envelhecer então... =]

Anna Paula disse...

Encare o silêncio como "roupa" de sbedoria. A vida transcorre sem esforço, pq nós o faríamos? Hoje estou candada sim.... pelo esforço empregado, pelas lutas em vão. Tudo que deu certo, pra mim foi o que aconteceu n a t u r a l m e n t e !

Flávia Damato disse...

Um amigo meu, pai de 1ª viagem aos 42 anos, escolheu uma foto, dentre muitas, em que ele segura seu filho recém-nascido; a própria felicidade em pessoa.
O interessante foi que ele a postou três vezes. Na 1ª, apenas João Gabriel aparecia em cores; na 2ª, as cores se estenderam ao pai; na 3ª, toda a foto. Título: "Voltei a sonhar!" .......

É bem por aí! Eu voltei a reiventar, a redescobrir o prazer de muitas coisas que ficaram para trás. A sorrir todos os dias, só porque "eles" estão ali, e vontade de ir muito além.

Em casa, todos os dias, leio para os meus filhos as seguintes palavras que esse mesmo amigo me mandou poucos dias após o nascimento do João Gabriel:

"Amanhã fico triste,
Amanhã.
Hoje não.
Hoje fico alegre.
E todos os dias,
por mais amargos que sejam,
Eu digo:
Amanhã fico triste,
Hoje não.
Para Hoje e todos os outros dias!!"

(Encontrado na parede de 1 dormitório de crianças do campo de extermínio nazista de Auschwitz)

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Coisas da vida...

Bjs!!!

Ludmila disse...

Que lindo! ^^

Anna Paula disse...

que foda!