terça-feira, 10 de novembro de 2009

A moça da UNIBAN e a falta do que falar


Passamos a semana discutindo o comprimento do vestido da moça da UNIBAN. É curto, é justo dar uma vaia, uma expulsão, uma revogação. Enfim, uma falta do que falar em um país com tanta coisa para se falar. Foi uma leva de gente pegando carona na lacuna sensacionalista de assuntos da mídia que quase se apagou a historia dos deputados gazeteiros, do caso do MEC fazendo propaganda para o governo Lula no ENADE e dos 20 anos da queda do muro de Berlim. Tudo isso por conta do vestidinho justo da moça da UNIBAN.
Pessoalmente, tenho muito medo dos discursos que se ancoram em chavões como “pela família”, “pela moral e os bons costumes”, “pela decência”. Essas palavras só mostraram, em sua história, que serviram para esconder o desrespeito à família, a imoralidade, os maus costumes e a indecência generalizada. Tudo isso sob a tênue e mal cheirosa capa da hipocrisia. Acredito que aqueles políticos do interior de São Paulo ou aqueles lá do Pará (hoje esquecidos da mídia) envolvidos com pedofilia fossem capazes de fazer um discurso acalorado pela moral e os bons costumes antes que suas máscaras caíssem. Talvez se juntassem no coro das vaias à moça da UNIBAN.
Mas os alunos da faculdade não deixaram a coisa passar em branco e fizeram justiça apedrejando a moça com vaias e agressões verbais bem ao estilo islâmico medieval de punição. Foram justos, assim como Deus é justo...
Mas o vestidinho da moça da UNIBAN era mais justo ainda.

P.S.: O muro de Berlim caiu, mas o muro da moça da UNIBAN continua lá erguido firme e forte no pátio da faculdade.

11 comentários:

Junior Macedo disse...

E viva a liberdade de imprensa! Viva a liberdade! Viva o direito de vestir 'sainhas' e/ou 'vestidinhos' curtos!!! De fato, Marcelo,nós estamos carentes e sedentos de assuntos. Somos crescidinhos e o Brasil já não tem mais problemas ímprobos. Os mensalões e os sarneyzões são coisas da série "tipinhos inúteis" e sem repercução nenhuma na mídia, especialmente, televisiva.

Em tempo(sic): "Queixo-me às rosas, mas que bobagem..." Acho que Cartola diria: Playboy nela!!!!!

Evandro Varella disse...

Tá certo Marcelo...agora começa a cronometragem do tempo que a moçoila levará para perder o dito vestidinho em uma das revista masculinas da vida.
Abraços

Marcelo disse...

Perfeitos os comentários. Não tiro uma linha... rs
Abraços

Montanari disse...

O que eu acho é que o nosso povo brasileiro, ignorante, fútil e hipócrita como é, realmente gosta é de ver o circo pegar fogo. Por isso a enorme audiência de programas baratos e sensacionalistas como era o do Ratinho e de muitos outros onde se lava roupa suja na TV. O Brasil merece mesmo o posto de país do 3º mundo que ostenta.

Edilza Nascimento disse...

Perfeita sua análise.
abs

Lilly disse...

Belo artigo... Realmente, embora condenável a intolerância dos "universitários", bem ao estilo medieval... O assunto já se tornou mais um apelo sensacionalista, em meio à falta de assunto, ou ainda pior, assunto que se escolhe (a mídia) não falar, pq não é conveniente...
E o que realmente importa cai no esquecimento, corroborando o fato de que o povo é memória curta!

Trevo sem Folhas disse...

http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/zapping/ult3954u650639.shtml

Confira ai. Profecia?

Marcelo disse...

E quer ver a segunda profecia?

Geisy Arruda, a moça do vestido polêmico da UNIBAN, assina com a produtora pornô Brasilerinhas para fazer a Série Brasileirinhas Universitárias.

Lomyne disse...

Sobre esse vestidinho da Uniban, sigo a lógica da Paula: digam o que disserem do vestido, de fato, o vestido é feio que dói. Existem muitas falhas de caráter em tudo que diz respeito ao case do vestido - sobre todos os personagens - mas eu considero que tanto estardalhaço midiático só pode ser preguiça de fazer um jornalismo decente.

Agora cá entre nós, essa menina se deu muito bem! Com a grana que ela ganha no processo contra a universidade, contra as mídias e mais a grana para posar nua na Ele&ela (não acho que seja mulher de nível Playboy) essa mulher não precisa trabalhar nunca mais, virou celebridade!

Melhor do que se continuar a faculdade de Turismo!!!

Laila disse...

O povo lá dizendo que a moça fez uma revolução, que lutou contra a censura e a hipocrisia e a favor dos direitos femininos enquanto ela só queria uns 15 minutos de fama...
e talvez um contrato com a Playboy ou qualquer outra genérica.


É... conseguiu. Melhor que isso só se criassem uma CPI do vestidinho.

Fernanda disse...

Olá,

Concordo contigo! Não aguento mais ouvir falar disso! Tanta coisa interessante a ser abordada e discutida...
Não sou a favor do preconceito que a estudante sofreu mas, vamos dar um basta né? Chega...renovação!
Abraços e parabéns pela coragem em falar do assunto. Fernanda pautajornalistica.blogspot.com