sábado, 7 de fevereiro de 2009

E quem manda o Abelardo embora???

Aberlardo era funcionário público e, efetuados os descontos, ganhava R$ 3.346,46 por mês para ser responsável por um setor de sua repartição. Se chegasse atrasado, receberia R$ 3.346,46 já com o IR retido na fonte. Se faltasse, vez por outra, receberia R$ 3.346,46. Se tirasse dúvidas de forma atenciosa e correta, receberia R$ 3.346,46, mas se não o fizesse... receberia o mesmo. Se fosse altamente eficiente em seu ofício, receberia R$ 3.346,46, mas se não o fizesse... receberia R$ 3.346,46....
Em nome da pessoa que ele mais amava na vida, ele mesmo, e para evitar o estresse e outros desgastes que encurtam a vida, Abelardo, olhava a por cima do monitor de computador enquanto terminava mais uma partida de paciência no PC.
Se terminasse aquela partida ganharia R$ 3.346,46 e se não terminasse, também.
...
Abelardo fazia cara de preocupado olhando para a tela do computador... não conseguia achar um maldito seis de ouro.


13 comentários:

Adri disse...

ninguém! eu sei como é! já trabalhei no serviço público federal...

Wander Veroni disse...

Oi, Marcelo!

Muito legal a sua crônica: crítica e bem humorada como sempre. Já tive a experiência de trabalhar em um órgão público, como estagiário, na época da graduação de jornalismo, e posso te dizer que isso é a mais pura verdade. Trabalho tem pra fazer, mas poucas pessoas se empenham em fazê-lo. Falta boa vontade, respeito com a sociedade e fiscalização.

Abraço

opatifundio disse...

Um ótimo microconto! Sabe que esse negócio de trabalhar no Estado e ser escolhido por concurso foi uma ideia que a gente importou da França. Não deixa de ser justo, mas convenhamos, aqui no Brasil existe alguma coisa errada. Já virou cultura a imagem do funcionário público que não faz nada, que não pode ser demitido e que mama às custas do Estado. Por que isso tem que virar cultura e não alvo de questionamento? Ah, sim, é que todos têm aquele tio que pode arranjar uma boquinha dessas pra gente. Criticar pra quê?

E o político é o corrupto.

Francisco Castro disse...

Olá, bela crônica, apesar que eu não concordo de forma alguma. Se você perguntar a qualquer pessoa séria que já trabalhou ou trabalha no setor público também não concordará. É evidente que como no setor privado (isso mesmo!!) existem pessoas no serviços público que não prestam um serviços com a eficiência e a eficácia necessárias. Mas, daí generalizar é até ridículo. Eu sei que essa idéia está implantada na sociedade, entretanto de forma totalmente distorcida da realidade. Infelizmente, temos aqueles laranjas (ladrões) que recebem sem trabalhar ou trabalham muito pouco, mas esses são indicações políticas, não são concursados. Esses que não fazem nada e recebem pagamento deveriam ser presos porque estão roubando dinheiro público.

Abraços

Francisco Castro

Homenzinho de Barba Mal feita disse...

E quem não quer ser um Abelardo???
Como o Wander disse, o que falta é boa vontade e mais fiscalização.
Mas ai é outra história...


Abraços!!!

Amanda Guerra disse...

Uhn... não concordo com o rapaz ali de cima. Eu não gostaria de ser um Abelardo. Tenho pânico só de pensar em passar o resto de meus dias sem ter uma utilidade para o mundo...

Enfim, bom senso as vezes é válido. independente de fiscalização ou três mil e sei lá quantos reais. acho.

All3X disse...

Serviço público agrada a muitos justamente por essa estabilidade e descompromisso.
Mas o que prejudica os contribuintes, que não ganham um bom serviço...haja paciência...
Somos um povo de despreocupados...

All3X

Euzer Lopes disse...

Ah, esses abelardos...
São dois, três, talvez 513 mais 81, lá da capital federal junto aos seus "staffs".
São eles que acabam dando cara a todos os abelardos que se matam de estudar para um concurso, entram num emprego público sujeitos a toda sorte de desafios propostos por tantos abelardos.
Poucos, que deram fama a quase todos.
Felizmente não sou abelardo. Não me sinto abelardo.
Sou maiúsculo. E tenho orgulho de ganhar três vezes menos que esse abelardo aí, por seis horas diárias, cinco vezes por semana, mas voltar pra casa sabendo que eu honrei o dinheiro que você, ele, ela, aquele ali e aquela lá me pagam para NÃO ser abelardo.

Alcione Torres disse...

Muito bom o texto. Infelizmente existem muitas pessoas como Abelardo que mancham a imagem do funcionário público.

Marcio Sarge disse...

Juro que para o próximo concurso eu estudo.

Carla disse...

Eu sou funcionária pública, e, felizmente, não tem nenhum Abelardo no meu setor.
Gosto do que faço e trabalho um monte, talvez porque não trabalhe exclusivamente por dinheiro.
Acho lamentável este rótulo e má fama que a "classe" tem, e acho que alguns poucos, de fato, a merecem.
Concordo plenamente como que o Francisco Castro disse mais acima, e tenho certeza que que os principais beneficiados com esta cultura de difamação dos servidores são os políticos e maus administradores que, a cada 4 anos, entram e saem das chefias, diretorias, secretarias e prefeituras, etc, deixando todo o mal feito para os trabalhadores justifcarem... Triste...
O tema é excelente pra ser debatido mesmo!
Um abraço a todos.
Carla (carla.ro.blog.uol.com.br)

Anna Paula disse...

Coitado do Abelardo!
Inútil, ocioso, sem sonhos... enfim, um funcionário público!

Lomyne disse...

Acaso não é justamente por isso que muita gente quer ser funcionário público concursado? Para ter a certeza de que se não fizer nada, vai ganhar R$ 3.346,46 do mesmo jeito. O bacana é que em vez de impedir, o brasileiro só quer é mamar nas tetas do Estado....