sábado, 13 de dezembro de 2008

Todo mundo quer ficar bem com todo mundo o tempo todo.

Bom... Não dá. Isso não dá mesmo.
A necessidade de aceitação que as pessoas têm faz com que elas ajam de maneira completamente estúpida e queiram estar bem com todo mundo o tempo todo.
Olha... Desista. Isso não dá.
Vejo muito isso na faculdade, mas o aluno sempre acha que a gente não vê. Os trabalhos em grupos são sempre marcados por uma figura única: o sanguessuga. O sanguessuga é um cara legal. Normalmente se esconde por trás das seguintes desculpas: trabalho excessivo, problema de saúde, limitações pessoais. O que ele quer é um grupo bem esperto para fazer o trabalho para ele e, quando muito, ele se encarrega de passar a limpo um texto sobre um assunto que ele não faz idéia do que se trata. E assim, normalmente, ele se forma.
Mas e quem diz isso para o cara? Todo mundo quer ficar bem com todo mundo. Ah sim... Toda solidariedade cai por terra quando o grupo tira uma nota baixa e saem botando culpa em todo mundo que não ajudou... Aí é roupa suja para todo lado.
Já conheci casos de alunos que, vivendo tanto nas costas dos outros, tinham que pensar duas vezes para responder que curso faziam. Pensei até um dia de ouvir: fulano, que curso a gente faz mesmo? Ainda não duvido dessa hipótese.
Queremos ser gentil também quando dizemos: aí, passa lá em casa. Isso é entendido pela maioria das pessoas como um figura retórica característica do discurso de gentileza. Pois é, a maioria entende assim. Não todos. E depois fazemos o quê? Agüentamos para não ficar mal com a pessoa.
Eu mesmo, por exemplo, durante anos tive problema com carona. Sempre sentia que dando carona a alguém na estrada eu estaria abrindo um precedente cruel (tenho um post sobre isso aqui). Entenda: se não conheço o cara, não fica chato passar direto e não dar carona, mas se eu dou carona uma vez, já se caracteriza como um conhecido....
Veja só. Aí vem o drama de consciência...Que canalha sou eu ao não dar carona a um conhecido!? Do outro lado, o caroneiro ficará chateado comigo: poxa vida! O cara me conhece e nem parou...
Dessa forma, prefiro não criar contatos, prefiro não nos conhecermos... Melhor para nós dois. Seremos mais felizes assim.
Mas mesmo assim, assumida essa postura, durante muito tempo, eu me senti na obrigação de justificar que não daria carona com o movimento de mão indicando que iria entrar logo adiante...
Foi aí que eu pensei:
- Cara, para que justificar uma coisa para uma pessoa que você nem conhece, para a qual não deve nada e não tem qualquer vínculo ou interesse? Caiu-me a ficha de que eu estava justificando para mim mesmo. Justificando para a nossa eterna necessidade humana de ficar bem com todo mundo o tempo todo.
Não dá. Definitivamente, não dá.


19 comentários:

Marcio Sarge disse...

Interessante mesmo essa questão. Essa coisa de agradar a qualquer preço acaba sempre me desagradando.

É uma daquelas características nata ao ser humano, nada haver com gentilezas ou educação, simplesmente com o constrangimento, com o embaraço ou com aquela idéia hedonista que grita na cabeça: "O que vão pensar de mim?"

Eu prefiro me preocupar com o que sou.

Francisco Amado disse...

Putz!!!

Eu costumo dizer eu sou Francisco Amado aqui e em qualquer lugar.

Traduzindo não faço media com ninguém que gostar beleza, que não gostar uma oração.


Oração Árabe

Que as pulgas de mil camelos infestem o meio das pernas da pessoa que arruinar o teu dia, e que os braços dessa pessoa sejam curtos demais para se coçar. . .

Flávia Damato disse...

A minha natureza não me permite ser gentil a qualquer preço.
Costumo me dar bem com a maioria das pessoas, tento ser simpática com todos que conheço; se me dão abertura, ótimo, mas se não dão, também não corro atrás. E fim de papo.

E vc tem razão quando coloca como exemplo a faculdade. Há pouco tempo (p/ falar a verdade, na apresentação do último trabalho), meu grupo teve um probleminha com uma integrante que, simplesmente, saiu na última hora sem qualquer aviso prévio, com tudo já esquematizado, e só não nos prejudicou, porque conseguimos contornar o problema a tempo. E, claro, fomos falar com ela. Mas já passou!

Por isso mesmo, achei super correto quando vc resolveu fazer, pelo menos, 1 trabalho individual. Já separa, logo de início, o joio do trigo. rs

P.S.: E vc não está fora dessa! Se pisar no meu calo... sobra p/ vc também, viu? rsrs
Ih! Esqueci que vc ainda é meu orientador! Mancada! rs

Bjs!!

Homenzinho de Barba Mal feita disse...

É aquela velha história, uma mão lava outra. hoje eu ajudo, para amanhã eu pedir ajuda.
Mas essa necessidade de ficar bem com todo mundo, é quase que uma obrigação. Por exemplo em uma prova, se você não passar a "cola", você será apontado, como o invidualista que não ajudou seu "amigo", com déficite de intelecto.
E por ai vai...


http://hdebarbamalfeita.blogspot.com/

Raphaella disse...

Pois bem,
Dificilmente nego algo para alguém, não pq queira ficar bem como todos, mas não gosto de clima ruim, principalmente, em ambiente de trabalho. POsso até ficar chateada com a pessoa, mas detesto discussões ou comentários que vai resultar num clima péssimo.

Acredito que por ex.: fac, academia, cursinhos são lugares mais "livres" para sermos até nós mesmos, não nos preocupando em sermos gentil o tempo todo.

Ps: Vi o seu blog na comunidade Bloguista e achei o título bem interessante.
Parabéns!

Wander Veroni disse...

Oi, Marcelo!

Sou muito sistemático. Na faculdade criamos um grupo de amigos que fazíamos sempre trabalhos em grupo do 1º ao 8º perído. Éramos quatro. Em caso de fazer um dupla, nos dividiámos. E deu certo. Toda vez que deixávamos alguma carona entrar, não rendia. O problema disso é tudo é que no mercado os trabalhos, principalmente no jornalismo, são em grupo. Se vc não sabe trabalhar assim, dificilmente estará no mercado. O mais engraçado é ver que aqueles que fizeram a faculdade por passar de ano não consegue se manter no mercado de trabalho ou não conseguiram entrar. Acho que aí está toda a diferença.

Abraço,

=]

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http://cafecomnoticias.blogspot.com

joao Assis disse...

Amigo,
Será que ao tentarmos agradar á todos,não estamos conseguindo o efeito conttrário?
Acredito que isso é um mal á ser corrigido em nossa sociedade.
Um forte abraço.

Laila disse...

Nessa questão de trabalhos eu confesso que sou egoísta, e egoísta feliz!
Acredito firmemente no ditado "se quer bem feito, faça você mesmo" e costumo me "apoderar" do trabalho (ou da maior parte possível). Sei que isso pode até "ajudar" (se é que não deixar a pessoa fazer um trabalho é ajuda) alguns sanguessugas, mas eu não consigo.
Quanto a querer ficar bem com todo mundo, acho que já chutei esse balde. Até porque os "bonzinhos" que nunca dizem não e sempre estão dispostos a fazer de tudo para todo mundo são considerados totalmente dispensáveis.

Anna Corbo disse...

Não sei se é bem assim que me sinto não...
Acho importante conviver bem com as pessoas de um modo geral mas não me sinto na obrigação de agradá-las mas acho que devo ser agradável objetivando uma convivência harmônica, o que me parece ser bem diferente.
De fato somos livres e dou uma duas ou nenhuima vez carona qdo e para quem eu qquiser, certo?

bj bj saudades

bless disse...

Realmente é algo muito curioso isso de carona.Aqui em Floripa vivemos isso o tempo todo,tem pessoas que só vivem de carona. Como Deus nos diz o "justo não se justifica",por isso ficaremos tranquilos quanto ao traslado alheio!
Daniela

... disse...

Eu tô tentando parar com essa mania de querer agradar a todo mundo o tempo todo. Tô descobrindo um botãozinho chamado "Foda-se".
PS: gostou do meu comentário? Quer que eu mude? Se você não gostar me avisa que eu mudo, tá?

Engraçadinha disse...

Achei o post primoroso!
Eu não tenho o menor problema em dizer não. Falo meeeermo!
Quando se vive o agora, a gente não dá muita trela prá nossa consciência não!
Aliás, ela fala demais e às vezes se mete muito.
Relaxa senão não encaixa.

Seu comentário no mulheres, deixou meus cabelinhos do fiofó arrepiados. Felizmente, aquilo q eu escrevi foi há zilhões de eras atrás, ainda na época dos dinossauros. Essa pessoa, mor-reu!

Bjs eeeee... passa lá no meu blog?
Ahuahuahauhauha! Não resisti.

Gabriela disse...

Oi!
Infelizmente não dá pra ficar bem com todo mundo, mas a gente faz o que pode né? (kkkk) Eu por exemplo se não tentasse, acho que não conversaria com quase ninguém.

Abraço.

Balinha* disse...

Concordo. Não é legal pensar em agradar não.

Obrigada pela vista, ótimo blog

Arthurius Maximus disse...

Isso que você fala é verdade. É um daqueles sentimentos que "implantam" na gente após anos e anos "doutrinação social"...

Mas é uma ilusão. Sempre haverá alguém que não "te suporta".

Anônimo disse...

Não sei se isso é uma necessidade humana ou é "coisa de brasileiro" mesmo. Vou ficar com a segunda opção. Em muitos países as pessoas têm uma postura tão autocentrada que tange às raias da misantropia. Acho que estar bem com todo mundo é o cartão de visitas do famoso "jeitinho", que o Roberto da Matta tanto fala.

All3X disse...

Essa foi para mim, tnho certeza..
Putz, sou do tipo quetenta sim se dar bem com o máximo de pessoas possíveis.
Faço isso na melhor das intenções.
Mas não quero levar vantagem com isso. O que acho que, em parte, seja meu ponto fraco, pois sempre saio perdendo...
Tento dizer alguns Não's, mas não sai.
Vou continuar tentando.
All3X

Stela Tannure disse...

Nossa, toda sala tem um sanguessuga que se preze! E o pior é aguentar o seu 'ar de coitadinho' quando o seu grupo cativo passa a dispensá-lo...realmente, um injustiçado que pertence à mesma espécie do "Perseguido", da série "ambiente de trabalho".

Sempre que eu passo por aqui, tenho uma boa surpresa!

Bjo!

FRX disse...

faz mto tempo que cheguei esta conclusão!
Querer agradar todo mundo só acaba dando problemas e stress pra si prórpio.
Mas porque eu penso assim?
1º vc fica euforico com isso e com aquilo querendo agradar sendo que cada pessoa tem uma personalidade diferente e por fim vc nunca agrada a todos as vezs suas tentativas de SER O LEGAL tu acaba sendo o chato da vez e por fim termina decepcionado consigo mesmo porque vc desperdiçou mto tempo querendo agradar sacrificando as coisas que vc gosta de fazer.
Então não vale a pena o ponto certo é o equilibrio.