quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Educação e realidades

Nós nos propomos a fazer uma educação humanística de ensino médio e formamos marcadores de cruzinhas. Não discordo de que haja matérias como sociologia, filosofia ou mesmo a proposta de psicologia para alunos de ensino médio, mas fico me perguntando se devemos entender que a educação oferecida ao caboclo da Amazônia em uma escola de noturno deva ser a mesma de um aluno de classe média da Barra da Tijuca. Cada realidade pede suas necessidades.

Minha visão aponta para uma educação utilitária/otimizada. Senso crítico e formação geral são coisas que devem ser adquiridas depois que o indivíduo tiver a oportunidade de garantir o seu sustento com o próprio trabalho e assim garantir sua dignidade como cidadão dentro de uma cadeia produtiva. Aí sim, teremos uma busca mais legítima do que a artificialidade de algumas aulas nas escolas, que, na palavra de muitos alunos, nada mais é do que uma enrolação sem fim.

Penso uma escola que prepare o aluno para uma atuação profissional e produtiva na sociedade. Não é viável economicamente manter um profissional estudando 3 anos, com uma formação extremamente genérica, para que ele vá pensando no que vai fazer quando terminar a sua formação em marcador de cruzinhas. Ótimo. Para quê? A que custo?

Talvez devêssemos adotar o modelo francês ou como era, no Brasil, há uns 30 ou 40 anos atrás. Quem sabe um Ensino Médio dividido em HUMANAS, BIOMÉDICAS e EXATAS e com um grau de encaminhamento profissional em um quarto ano. Não sei. Talvez fosse por aí. A verdade é que no formato que temos, estamos perdendo tempo e dinheiro: nosso, contribuinte e professor, e dos alunos.

Muitos alegarão que aos 15 anos é muito cedo para se decidir por uma área de interesse, mas aos 16 já se é maduro o suficiente para decidir quem deve ser o presidente do país. Então que decida por sua área aos 16. Corremos o risco de criar uma geração que, sentada na sala jogando video game, ainda está decidindo o que vai ser... aos 30 anos.
Mas será que o menino está maduro o suficiente... será que não podemos esperar mais um pouquinho?

Não no sofá lá de casa, véi, não lá...


Em tempo:
Antes que eu me esqueça.... Feliz Natal!

16 comentários:

Wander Veroni disse...

Oi, Marcelo!

Sabe que isso é uma coisa que sempre me preocupa. A escola não está formando ninguém. Os alunos estão deixando de pensar de modo científico para ser simples ""marcadores de cruzinha. E o pior: as faculdades estão sendo obrigadas a seguir esse modelo e transformando algumas graduações em cursos técnicos.

Como assim? Claro, muitos alunos detestam a idéia de pensar que tem que interpretar o conhecimento científico e fazer uma análise. Preferem fazer algo prático, tipo uma receita de bolo.

Recentemente, terminei a minha pós-graduação em Rádio e TV e fiquei surpreso, pois muitos comunicólogos querem aprender a técnica numa pós. Para que eu quero conhecimento científico? O mercado não pede isso? Detesto a área acadêmica, dizem. Sinceramente, cansei de brigar. Antigamente era mais empolgado, brigava e explicava o pq do conhecimento científico.

O seu texto foi muito elucidativo: os alunos estão passando por um processo de emburrecimento. E isso se reflete na escola, na família, na casa. E aos 30 anos, sentado na sala jogando vídeo-game, sem saber ao certo o que quer da vida. Claro, há casos e casos. Existem muitas habilidades que não dependem de uma graduação para se ter sucesso profissional. Mas nada impede que esse profissional leia, pesquise e interprete.

FELIZ NATAL, meu amigo!

Abraço,

=]

-------------------
http://cafecomnoticias.blogspot.com

Henrique Hemidio disse...

Só discordo do paradoxo entre caboclo da Amazônia e playboy da Barra, até mesmo em comparação a mim ou qualquer outro estudante de escola pública o tratamento dele vai ser diferencia ($), mas é claro que se entende perfeitamente o que quer dizer... Em termos de educação, temos é que torcer e fazer por onde pela geração seguinte, pois esta aqui está fodida por pelo menos mais uns 20 anos...
(Eu ainda não sei o que quero fazer da vida)

Em tempo: Feliz Natal!

Marcelo disse...

Ah... sim, Henrique, a comparação do Caboclo e do "Playboy" foi só a fim de ilustrar que há necessidades diferentes em meios diferentes e há uma tentativa de padronizar tudo e fazer tudo igual como se X fosse tão útil para um quanto para outro. E não é... eu penso uma educação de forma otimizada e adaptada à realidade. No mais, acho que é perda de tempo e dinheiro...
Muito obrigado... principalmente, por tê-lo como leitor.

Feliz Natal

Marcelo

Balinha* disse...

Vim desejar um Feliz Natal!
Estava super apurada! Obrigada pela visita. Beijão.

Guilherme Bandeira disse...

Quando se fala em melhorar a educação no Brasil, todos pensam em novas escolas, merendas e por aí vai. Na verdade temos que cuidar dos professores em primeiro lugar, de que adianta novas escolas se não tivermos professores competentes para ensinar? Os jovens de hoje seguem a profissões que estão na moda. Sou carioca e estou morando em MG. Uma cidade pequena que a cada dia entope o mercado com dezenas de advogados. As faculdades deveriam fazer um planejamento e instruir as pessoas de acordo com a região.

Feliz Natal

www.olhaquemaneiro.com.br

All3X disse...

Wander só faz covardia, olha o tamanho do comentário...rs
Gostei do 'véi' ao final. Me lembra as figurinhas que encontro na universidade.
E nessa postagem serei um pouco discordante de ti.
Que é necessário saber tomar decisões desde cedo, isso concordo. Como encontro pessoas que estão paadas no tempo quanto a isso. a vida cobra uma postura mais acertada. Se errar pelo caminho, tudo bem, mas faça algo desde já.
Agora, quanto ao modelo de ensino, esse você tocou num ponto interessante.
Não podemos apenas formar profissionais tecnicistas, pois existem apenas seguem um padrão e o repetem. Não tomam decisões por sí próprio. Formaremos uma sociedade alienada de si mesmo. Quero uma razão crítica. Melhor, quero verdadeiros cidadãos, não máquinas robotizadas.
Abraços, e feliz natal
All3X

Marcelo disse...

Aqui é um barato.. já disse que tenho comentários melhores que minhas postagens.. sério.

Não.. mas eu não penso numa educação tecnicista. O que eu acho Alex é que o formato que nós temos se perdeu em futilidades em nome de uma educação humanística que nunca chegou. Concordo com a formação do senso crítico, ela é essencial, mas com esse formato que temos de educação, não temos nem uma coisa nem outra.
É preciso repensar.
Um abração, meu amigo e Feliz Natal.

Marcelo

Caio Rudá disse...

Resumiu bem, Marcelo. Mais do que educadores, somos ótimos formadores marcadores de cruzinhas.

Triste como a questão da educação dá o que falar, seja sobre o Ensino Fundamental, Médio ou Superior. Se fossem ainda comentários elogiosos, tudo bem, mas o conteúdo da discussão é realmente outro. Como eu queria que fosse diferente...

Só outra coisa que não poderia deixar passar em branco: que dom o Brasil tem de mudar as coisas para pior, hein?

E apesar da dura realidade, um Feliz Natal, Marcelo!

Abraço.

Anônimo disse...

Concordo com boa parte de suas críticas ao modelo educacional brasileiro. Também acredito que o ensino poderia ser "customizado" em função da realidade social do aluno, direcionando desde logo para o mercado de trabalho. Mas não me parece que a formação crítca possa ser abandonada. Fui aluno do Colégio Pedro II e esse sempre foi o nosso grande diferencial.

Euzer Lopes disse...

Meu pai morreu em 2006 aos 81 anos. Ele dizia uma coisa que quando eu tinha 20 achava um absurdo. Mas bastaram 10 anos pra concordar com ele:
O governo brasileiro JAMAIS vai investir na educação, porque é uma forma de controlar o seu povo. Povo ignorante, povo que não questiona. E o professor que ousar estimular o senso crítico do aluno, será punido muitas vezes com a estagnação profissional.
Pena ser assim

Aurelino disse...

Bom, eu gostaria que um processo de aprendizagem dinâmico e inteligente fosse elaborado, estudado e aplicado neste país.

Mas isso é uma coisa um pouco (só um pouco?) difícil de ser... IMAGINADA!

Anônimo disse...

Marcelo, como educador penso como você. A educação, a cada dia, perde o propósito em um mundo cada vez mais competitivo. Inclusive, foi durante minha formação técnica no Senai, aos 16 anos, que percebi que não gostava da área de exatas. Se você não oferece oportunidade ao educando desde cedo para que ele teste sua vocação, como poderá exigir isso aos 18, 19 ou 20 anos. É por isso que, de cada 10 ingressantes nos cursos superiores, pelo menos, 3 ou 4 desistem porque descobrem, tardiamente, que não gostam da profissão que escolheram. Excelente a temática da postagem e a maneira como foi abordada.

Ellen Regina - facetasdemim disse...

Acho que grande parte do resultado dessa educação está aí diante dos nossos olhos, esbarramos nele o tempo todo, blogosfera afora.

Jaqueline Freitas Dias disse...

acuma?
não eu não estou querendo que visite meu blog a qualquer preço
apenas passei por aqui por conta do
melancolia, achei o nome do seu blog engraçado.
http://cremilda.blig.ig.com.br
e seu texto sobre educação, o tema do meu blog, me lembra muito
Mark Twin
se não tem idéias ou as tem raras faça suas palavras pouco clara...
é isso.

Marcos Costa Melo disse...

Esse assunto é complicadíssimo. Eu me pergunto o tempo todo que educação estamos construindo e qual poderia ser a mais próxima do ideal.

Não sei a resposta.

Hoje não formamos nada, nem técnica, nem humanística. O quadro geral é desolador. O Mangabeira Unber disse que não havia nenhuma escola de alto nível no Brasil, fosse pública ou privada e, triste, tendo a concordar com ele.

Discordo um pouco de você quando coloca essa educação voltada para o aspecto profissional e produtivo, até por posicionamentos políticos meus, que contesto um pouco essa obsessão social por ser produtivo, pela valorização exacerbada do trabalho, enfim, coisas assim, mas compreendo seu ponto de vista.

Aliás, o governo também pensa assim, a idéia é expandir os cursos técnicos pelo país afora, com um Ensino Médio Integrado, de 4 anos, no qual o sujeito fará as disciplinas regulares e mais as técnicas ao mesmo tempo, ao contrário do antigo modelo, no qual fazia 3 regulares e um quarto ano técnico. Na escola que trabalho, sou um dos coordenadores dessa implantação, que está prevista para 2010, mas que ainda tem muitos detalhes a serem acertados, inclusive a questão curricular.

Na minha área de atuação, História, essa questão da formação me preocupa desde os tempos da faculdade. Sou completamente contrário à maneira como ensinamos História, dividida em períodos, cronológica, eurocentrista. Eu mesmo tinha dó dos alunos, às vezes, naquelas tardes de sol aprendendo sobre Mesopotâmia, Idade Média, feudalismo, tudo tão distante de suas realidades. Sempre procurei estabelecer conexões com a realidade atual, do contrário até para mim falando parecia ficção científica.

Hoje, penso a escola do lado de fora da sala de aula, mas minhas preocupações com a educação continuam as mesmas ou até pioraram. Não sei ao certo qual o caminho a seguir, mas tenho certeza que do jeito que está não serve.

abs

allex disse...

Marcelo, quando dedicamos todo nosso empenho em um trabalho, e somos criteriosos no que produzimos, acabamos por aproximar pessoas que dedicam também seu tempo para prestigiar o bom trabalho. Pensamentos positivos se atraem (é algo disso que se discute em O Segredo??rs...daria uma boa postagem aqui).
Como já é 2009, desejo mais conquistas este ano para todos nós.
Não sou especialista na área de educação, por isso não quero ficar aqui falando besteiras (se não domino o conteúdo, me calo), mas chego a um entendimento sobre o que disse na postagem.
Abraços Marcelo, até
All3X