sábado, 9 de agosto de 2008

Apelidos e fases da vida

O fato é que quando somos adolescentes, nossos amigos têm apelidos que se dividem em algumas categorias distintas: os apelidos alimentares (o Farofa, o Pipoca, o Angu, o Biscoito, o Geléia etc), existem os “partes do corpo" (o Orelha, o Boca, o Coxa, o Barriga etc), existem os escatológicos (o Meleca, o Arroto, o Cocô, o Flato... e vai por aí). O fato é que todos guardam um segredo mortal, pois em casa tem um apelido dado pela mãe ou pela irmãzinha mais nova que depõe contra sua reputação e faz com que opte por ser conhecido o Orelha e não como Titinho (de bonitinho.. Sabe quando era pequeno? Pois é, era até engraçadinho... Mas, aos 15 anos, ser chamado assim é a queimação de filme suprema).
Quando se é adolescente e sua mãe pergunta quem vai ao lugar que você quer ir:
- Ué, mãe, vai eu, o Geléia, o Meleca e o Barriga...

A mãe aceita resignada porque conhece e sabe que são filhos de conhecidos, bons meninos. E ainda retruca:

- Ah bom... Tudo bem. Não quero saber de você andando com o tal de Arroto e do tal de Pipoca.

A realidade é que quando crescem viram sobrenome em uma repartição (o Almeida, o Silva, o Andrade, o De Paulo, o Oliveira etc) e deixam para trás os apelidos bizarros. Olhando assim meio rabo de olho, ninguém suspeita que, hoje, o sério Almeida, chefe do RH, era o Meleca de outrora, ou que o Silva atendeu pela alcunha de Farofa...
É...
E o Pipoca virou meu chefe...
Se o Arroto não tivesse sido preso minha mãe tinha errado 100% no seu julgamento. O Arroto não prestava mesmo.
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